segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O TEMPO E EU



Eu, sozinho,
Nessa velha varanda!
Eu e essa velha varanda, sozinhos!
Eu, essa velha varanda e o tempo, somente nós!
Eu, sentindo nos olhos, o tempo a andar,
Como andaram, nesta velha casa,
Os meus antepassados!
E o passado se mostra...
E o presente se descortina...
E eles inundam-me as retinas
Nas retas e curvas dos caminhos e descaminhos!
Escaninhos a guardar arquivos atemporais!
Temporais de pensamentos a desaguar em mim!
E caminho eu, parado aqui...
E os pensamentos acolá e adiante...
Nas tantas torres das igrejas e seus sinais de fé!
Nas tantas torres de metal e seus sinais de rádio!
Nas estrelas, tão antigas e tão belas!
Nas construções, tão modernosas e feias!
Na Estrada dos Carros, caminho de outrora,
Vendo-se estrada de asfalto e carros ferozes!
E as vozes do que se foi me falam...
E as saudades do que não vivi me calam...
Eu, silente, presente em tudo que há de ausente...
Um ausente tão presente dentro de mim
De tanto que já findou, de tanto que há sem fim...
Quieto, aqui nessa antiga varanda,
Olho o cheiro de mato que sobe,
Respiro, da lua, a luz que desce...
Suspiro por tudo que aprendi...
Sorrio por tudo que ainda não sei...
Abraço o tempo...
E me deixo levar!