quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

PARA TI, HÁ MAR!

Esteja bem atenta a esta incorrência!
Não se engane, pois não é coincidência!
Olhando meu nome, percebas, talvez,
Porque sou tão loucura quanto lucidez!
Sendo ele uma mistura de mar e barco,
Não permitiram, a mim, ter um viver parco.
Nasci para sempre navegar d’um jeito torto,
Assim sem norte, rumo, destino... sem porto!


Sendo mar e barco, navego dentro de mim
Por entre calmarias e tormentas sem fim.
Vago entre as vagas e suas alvas espumas
Ainda que na escuridão de densas brumas.
Trago comigo uma bússola sem ponteiro,
Não quero rumo! Quero o mundo inteiro!
Impreciso no viver... Impreciso no navegar...
Se sou barco e sou mar, sou de todo lugar!


Mas se, ainda assim, pretendes embarcar,
Saiba que serás bem vinda no seu chegar!
Reservado, foi, para ti, por este seu capitão,
O canto mais luminoso deste meu coração!
Ai serás, então, a estrela do meu sextante!
Oficial a comandar este velho comandante!
Astro único a orientar a minha balestilha!
Nesse mar desmedido, serás minha ilha!


Se, enfim, abrires as portas dos meus mares,
E, junto a mim, aos desconhecidos singrares,
Quem sabe, então, sumam os ventos de ais,
Exista razão para eu deixar de evitar o cais?
Descubra, eu, finalmente, aquilo que falta
No vai e vem das ondas deste argonauta?
Valha-me, finalmente, usar o meu quadrante,
Sabendo-te aqui, sempre, a qualquer instante?


Mas só embarque com a certeza de ser feliz!
Há riscos! Comigo tudo é sempre por um triz!
Esteja certa de que tudo isso vai valer a pena!
Se esta minh’alma à tua alma não apequena!
Que, no horizonte, estejamos no mesmo plano;
Onde confundem-se, aos olhos, céu e oceano!
Infinitos paralelos que, enfim, se ensimesmam
Pelo tanto que, à mesma coisa, ambos desejam!


E se, por fim, for esse mesmo o nosso destino,
Que juntos planejemos e juntos percamos o tino!
Que o astrolábio seja somente para me guiar
Ao céu da sua linda boca, num beijo sem par!
Que eu seja seu mar, seu barco, sua viagem...
Que eu possa lhe faça sorrir ao falar bobagem...
Ser seu marco, mas nunca ser sua fronteira...
Ser livre e te dar liberdade pela vida inteira!

QUEM FOI VOCÊ?

QUEM FOI VOCÊ?
(Marco Valladares/Carlinhos Bernas)


Do nada você chegou...
Tão pouco você ficou...
Fingiu...
Mentiu...
Saiu...
Se felicidade havia
Você, na pressa, nem viu!


Tentei zangar...
Tentei brigar...
Tentei chorar...
Mas não deu!
Na sua pressa em partir,
Você nada deixou de seu!


Queria sentir saudade...
Queria lembrar seu rosto...
Até seu nome eu esqueci!
Sua pressa te fez em nada
Nesse mesmo peito vazio
Que te faria amada!


Agora fico aqui olhando
Essa cicatriz no meu peito,
Tentando em vão lembrar
De quem fez essa ferida,
Mas confesso: Não tem jeito!


Do nada você chegou...
Tão pouco você ficou...
Fingiu...
Mentiu...
Saiu...
Se em mim você existia,
Também depressa sumiu!


Se em mim você existia,
Também depressa sumiu!


Se você em mim existia,
Também depressa sumiu!