sexta-feira, 22 de julho de 2011

SONETO Nº 45

Em que ponto perdeu-se o rumo da vida?
Escorregaram pelas sarjetas desses anos,
Ou as grades do tempo prenderam meus planos?
De onde veio tal tristeza incontida?

Quais sentimentos causaram tantos danos?
De onde surgiu esta solidão sofrida?
Por que a alegria foi-me proibida?
Quem há de responder esses meus desenganos?

Não atendo a quem à minha porta bate.
Também deixei de abrir qualquer janela.
Nessa casa não entrará quem me maltrate.

A mim, o que resta, é viver nessa cela
Em que o tempo de pena não há quem date.
Eu, a solidão e esta saudade dela!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

14/07/2011.

A exatamente um ano você nos deixava em corpo! Mas perpetuado no amor, nas lembranças e na saudade, você ainda está aqui, comigo! Que Deus lhe abençoe e lhe faça feliz na eternidade! Receba o beijo do seu filho, meu pai!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

ABOIO SILENTE

Radiante...
Luz da Noite...
Flor do Dia...
Ê, ê ei, boi...

Era a cantiga
Que desde longe
A gente ouvia!

E lá vinha a boiada
Surgindo na porteira
E seguindo pro curral!

Mas veio o estio...
E ele por demais durou...

E sem nem mesmo
Uma gota de verde
No quebradiço do chão,
Nem um ramo d´água
No finado ribeirão,
A cantiga sumiu também!

Se foi Radiante...
Se foi Luz da Noite...
Se foi Flor do Dia...

Mas a seca que a tudo seca,
E que secou também essa alegria,
Não secou as águas dos olhos meus.

E quando eu olho pr’aquela porteira
E não escuto a voz do velho Juvêncio,
Cada lágrima que cai dos meus olhos
É um aboio em silêncio!

terça-feira, 5 de julho de 2011

NÁUFRAGOS

Náufrago,
Vago entre as vagas
Que vão e vêm!

Náufragos,
Vagos,
Vão e vêm...

Náufragos,
Entrem; há vagas
Dos que vão e vêm!

Náufragos,
Vagas
Vão e vêm...

Náufragos
Vagam vagos...
Vão e vêm...

No vai e vem
Das vagas, vago,
Naufrago também!