quarta-feira, 25 de maio de 2011

O FERIADO DA MORTE

Certa feita me apareceu
Essa tal da Dona Morte,
Achando que eu estava,
Quem sabe, de bobeira!

Veio chegando perto,
Pisando de mansinho,
Olhando meio de banda,
Andando bem sorrateira!

Bateu leve no meu ombro,
Como se me conhecesse,
E me disse bem baixinho:
“Siga esta companheira”!

Olhei-a dentro dos olhos
E, para seu maior espanto,
Respondi-lhe de pronto:
Mas qual! Deixe de asneira!

Para mim não é a hora!
Siga seu rumo, vá embora,
Qu’eu ainda tenho muita vida
Pra formar uma vida inteira!

A Morte, então, ficou séria;
Segurou-me forte no braço,
E, quase aos gritos, falou:
“Me irritas sobremaneira”!

Nem se irrite, nem reclame,
Disse eu sorrindo da morte,
Todos erram nessa vida.
E errastes! Que besteira!

Ela então ficou parada.
Pensou, pensou e disse:
“Nunca perdi uma viagem
E não será esta a primeira”!

Relaxe, disse-lhe eu!
Assim você amofina!
Come um acarajé em Amaralina,
Ou toma um sorvete na Ribeira!

E lá se foi Dona Morte,
Pela primeira vez na vida,
Tirar todo um dia de folga,
Para curtir uma tarde faceira!

2 comentários:

guerra(diário) disse...

Excelente texto!
Parabéns!

Thiago Lima Medeiros disse...

Rapaz muito bom seu blog, nunca tinha passado por aqui, mas pode ter certeza que voltarei. Muito boa sua poesia, parabéns