sexta-feira, 20 de maio de 2011

A BOCA DA MEMÓRIA

Vez por outra vem à boca da memória
Doces sabores de momentos idos...
Então o paladar da alma se aguça
E segue degustando a saudade,
A vontade de reviver o tempo ido.

Mas à boca da memória vem também
Os gostos amargos do que passou...
Aí a alma trava o fundo da garganta
E tenta rejeitar este sentimento,
Sem vontade de reviver o tempo ido.

O certo é que da boca da memória,
Caia doce ou amargo em minh’alma,
Surge sempre um breve gosto de sal,
Do mar das ondas de toda uma vida,
Que ligeiro brota aos olhos meus...
E, como liquefazendo a alma minha,
Escorre-me pela face envelhecida!

Nem sei se pelo que não mais tenho,
Ou se por aquilo que jamais terei...
À boca da memória também surgem
Sabores que eu jamais provei!

3 comentários:

Lilaks disse...

Thanks??? Lindo.... Triste!!!
Sem palavras, amor da minha vida!

Lilaks disse...

À boca da minha memória também veem delícias e dissabores,mas o que mais paira, ainda marcante, à boca da minha boca, são as incontáveis vezes (como essa) em que a sua, de variadas formas, a fez calar...

Jane Di Lello disse...

Amado amigo!
Lindo texto. Triste + real.
Tudo que é bom dura o tempo necessário para ser inesquecível.
Construir a felicidade é um ato paciente que não se alcança queimando etapas. Temos que percorrer todas,só assim encontramos a felicidade.
Fique com meu carinho.
BeiJane em vosso coração.
Jane Di lello.