quinta-feira, 24 de março de 2011

DESEJO EM TONS DE CINZA

Não quero mais voltar a ser jovem!
Não quero voltar a ser jovem hoje!
Não me enquadraria na juventude!
Não saberia (pois nunca soube) ser banal.
Não me enturmaria; Não teria tribo.
Seria eu um solitário átomo desgarrado,
Sem conceber como virar matéria.
Não há em mim elétrons de bullying,
Prótons do mais vazio preconceito,
Nêutrons para neutralizar a razão.
Tampouco seria eu uma célula banal
A compor um corpo sem cabeça,
A sinopse do ridículo absoluto
De fazer sinapses homogêneas
E sem a menor chance do genial.
Isso que eu vejo, que ouço, que leio,
Me faz dispensar toda a vontade
Que me despertaram, lá um dia,
Dorian Gray, Peter Pan, Shangrilá!
Não quero a fonte de Ponce de Leon,
Não quero mais ser o highlander final.
Quero mais é buscar o que existe,
O que insiste e persiste em vingar
Em meio à força banal do banal sucesso,
À descartabilidade do imediatismo,
À essa busca de ser célebre por um célebre segundo.
Não! Não quero mais voltar a ser jovem!
Quero mais é buscar nessa juventude atual
Os poucos jovens que ainda podem salvar o mundo
Dessa pasmaceira vulgar e desinteressante.
Esta agora é a minha vontade mais sincera,
O meu desejo mais profundo!

2 comentários:

Marco Antonio Araujo disse...

Ser jovem é um estado de espírito.
E espírito guerreiro, desbravador, observador, que cria e contesta.

O que você reclama como juventude, nada mais são que corpos sem espírito, são apenas fantoches de um sistema obscuro e covarde.

Eu quero ser eternamente jovem.

Marco Valladares disse...

O espírito de juventude sempre estará vivo em mim. Falo de retrosceder no tempo e ser cronologicamente jovem, sendo obrigado a conviver diretamente com o que vc tão bem descreve como "corpos sem espírito" e "fantoches"!
Grato pelo comentário! Abs.