terça-feira, 25 de janeiro de 2011

SONETO Nº 44

Deveras estranho sentir desta maneira...
Um avesso escabroso que me atinge...
Uma nuvem negra que a minh’alma tinge...
Um sentir sem sentido. Sem eira nem beira...

Enigma mui maior que o da esfinge...
Chega trazendo a dor como companheira...
Fado deste ser, ou praga de feiticeira?
Só sei é que, no meu peito, provoca ginge!

Agonia nunca antes vivenciada,
Invade e me domina, feito doença.
Confunde; torna a vida amargurada.

Olhar-te decreta essa minha sentença
De hoje sentir mais saudades, oh amada,
Quando quedo na tua linda presença.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

VERDADE INVOLUNTÁRIA

Não cabe em mim sentimento
Diverso do que sempre houve.
Ainda que eu ainda estranhe
A estranha que te tornastes,
Ainda assim, nada mudou!
Se eu pudesse desprender-te
Da totalidade do meu ser,
Da mente,
Do corpo,
Da alma,
Do peito,
Dos sonhos...
Ah, se eu soubesse como!
Aí talvez este sentimento
Junto contigo embora fosse.
Embora fosse, também, isso,
A extirpação do meu eu de mim,
Assim, talvez, quem sabe,
Eu renascesse dessemelhante
Desse eu que não concebe,
Desse eu que não consegue,
Não te amar infinitamente.
Ainda que eu ainda estranhe
A estranha que te tornastes,
Ainda assim, nada mudou!
Não cabe em mim sentimento
Diverso do que sempre houve.