quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

CENA VAZIA

E é este o meu cenário:
Uma taberna a beira mar,
Eu na mesa dos fundos,
Uma caneca de vinho
E um copo de cachaça.
Na mesa bem ao lado,
Um pirata mercenário;
Caídos no balcão do bar,
Dois bêbados imundos;
E vendendo carinho,
Uma puta sem graça
Finge cantar um fado.

É neste belo ambiente
Que para você escrevo,
Fingindo sentir desdém,
Em um papel gordurento,
Uma breve carta de adeus
Deste alguém que existiu.
Imagino o que você sente,
Lendo-a com certo enlevo,
Ainda me querendo bem;
E uma ponta de lamento
Virá aos pensamentos seus
Por lembrar que desistiu.

Mas para que tanto sonho
De carta, cenário, sentir...
Para que serve tudo isso
Se não passa de ilusão?
Não há vinho ou taberna;
Nem leitura, tampouco!
Não há nada que suponho.
De nada me serve fingir.
Preciso livrar-me disso
E por meus pés no chão.
Ou a dor que me governa
Irá deixar-me mais louco.

2 comentários:

Elainesartori disse...

"Cena Vzia"

Combinou comigo hoje.
Belíssimo Marco!
Parabéns!

Ana Matias disse...

Muitas vezes nossos sonhos nos fazem sofrer, mas que graça teria vida se não existisse a dor? Se sentimos dor é porque estamos vivos e a vida é o que nos traz felicidade.
Abraços!