sexta-feira, 12 de novembro de 2010

CONJUNTO DESUNIÃO


Não!
Não busques, nem queiras, o meu perdão.
Não há o que perdoar, pois erros não houve.
Acreditas que os cometestes?
Que te leva a tal pensar?
Não!
Não houve erros!

Minto!
Minto e confesso mentir!

Eu errei!
Eu cri! Eu, ingenuamente, cri!
E na crença, na fé imbecil, errei!

Por isso mesmo te suplico: cuida-te!
Cuida de estar bem distante de mim.
Cuida de não se aproximar.
Cuida da distância segura.
Foge do perto de mim.

A minha raiva de mim mesmo,
O ódio da minha imbecilidade,
O asco que nutro do que se fez,
Faz-me perigoso para ti.
E para quem mais houver.

Esquece-me. Foge!

Simplesmente apaga-me.
Embacia, empana, ofusca,
Deslustra, esquece de mim!

Não sabes, e eu mesmo não sei,
Quão mal pode ser todo o bem
Transmudado em inverso,
O universo de perversidade
Que está contido e pulsante;
Que contém este meu eu,
Indesejado e cruel,
Conjunto desunião!

Vai-te. E não olhes para trás.
Não vale a pena!

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