quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

RECONQUISTA

Posso desistir de tudo.
Tudo é tanto...

É tão demais,

Que a mim não cabe.

Desisto, pois.

Não quero mais nada.

Ou melhor seria dizer

Que nada mais quero.

De que me vale querer

Se quando consigo

Dou logo de perder?

Então, desisto.

Isto posto,

Ponho-me de lado

E recolho-me.

Enfurno-me.

Isolo-me até de mim.

No entanto,

Por não seres tudo,

Por não seres nada,

Por não seres tanto,

Por seres mais que isso,

Por seres mais que mais,

Por seres mais que concebo,

Por seres-te,

De ti não desisto.

Jamais desistirei.

Ainda que não possa eu,

Contigo, agora,

Conjugar as almas,

Conjugar os corpos,

Conjugar o verbo amar,

Guardo a esperança

De, um dia,

Voltar a ter

Borboletas no olhar!

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