terça-feira, 12 de maio de 2009

REZA DE CANTADÔ

Do mosaico encraquilhado

Que surge nas cicatrizes

Da terra castigada pelo sol,

Brota a face do cantadô.

Cabra que faz canto do pranto;

Da dor, a beleza da arte

E de cada novo dia radiado,

A esperança de um amanhã.

Canta feito assum ou curió,

Solta a voz no pasto seco,

Mostra seu repente, seu aboio,

Seus xotes, baiões e xaxados.

Faz a vida mais alegre,

O peito se assossega,

E a fé não esmorece

Quando a reza é cantada

No lamento da viola,

Na voz de um cantadô!

MEMÓRIA DA PELE (JOÃO BOSCO / WALY SALOMÃO)

Eu já esqueci você

Tento crer

Nesses lábios

Que meus lábios sugam de prazer

Sugo sempre

Busco sempre

A sonhar em vão

Cor vermelha carne da sua boca

Coração...


Eu já esqueci você, tento crer

Seu nome, sua cara, seu jeito, seu odor

Sua casa, sua cama

Sua carne, seu suor

Eu pertenço à raça da pedra dura


Quando enfim juro que esqueci

Quem se lembra de você em mim

Em mim

Não sou eu

Sofro e sei

Não sou eu

Finjo que não sei

Não sou eu...


Sonho bocas que murmuram

Tranço em pernas que procuram enfim

Não sou

Eu sofro e sei

Quem se lembra de você em mim

Eu sei, eu sei...


Bate é na memória da minha pele

Bate é no sangue que bombeia

Na minha veia

Bate é no champanhe que borbulhava

Na sua taça e que borbulha

Agora na taça da minha cabeça


Eu já esqueci você

Tento crer

Nesses lábios

Que meus lábios sugam de prazer

Sugo sempre

Busco sempre a sonhar em vão

Cor vermelha, carne da sua boca

Coração...


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MOMENTO (LETRA: CARLOS SAMPAIO / MÚSICA: WILSON ARAGÃO)

Chove inconsequente na província,

Vesperal de inverno.

As noites são aquáticas

Navegamos ruas etílicas

Quando não mais escutamos

O solfejar do cancioneiro gitano.

No pelourinho cresce o sexo

Anísio melhor hasteia a bandeira,

Livre do são João de Deus.


Chove inconsequente na província,

Vesperal de inverno.

Camacã conta o mundo

Edson Diniz teme a execução de Bach

Jehová de Carvalho é passo na noite

E a égua relincha madrinhando estradas.


Chove inconsequente na província,

Vesperal de inverno.

Cuide Nery dos loucos

Pois a viagem se fez viúva

Com a morte do seu amor turístico,

Quando o navio apitou.


Chove inconsequente na província,

Vesperal de inverno.

Se as noites são aquáticas

E navegamos ruas etílicas

Meus cavalos partem em despedida de tempo


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sábado, 2 de maio de 2009

VIAGEM (JOÃO DE AQUINO E PAULO CÉSAR PINHEIRO)

Oh, tristeza me desculpe

‘tou de malas prontas

Hoje, a poesia, veio ao meu encontro

Já raiou o dia, vamos viajar


Vamos indo de carona

Na garupa leve do tempo macio

Que vem caminhando desde muito longe

Lá do fim do mar


Vamos visitar a estrela

Da manhã raiada

Que pensei perdida pela madrugada

Mas vai escondida querendo brincar


Senta nessa nuvem clara

Minha poesia

Anda, se prepara, traz uma cantiga

Vamos espalhando música no ar


Olha, quantas aves brancas

Minha poesia

Dançam nossa valsa pelo céu que o dia

Fez todo bordado de raios de sol


Oh, poesia, me ajude

Vou colher avencas

Lírios, rosas, dálias pelos campos verdes

Que você batiza de jardins do céu


Mas pode ficar tranquila

Minha poesia

Pois nós voltaremos numa estrela guia

Num clarão de lua quando serenar


Ou, talvez, até quem sabe

Nós só voltaremos

No cavalo baio, no alazão da noite

Cujo nome é Raio... Raio de Luar



CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR O VÍDEO COM A CANÇÃO, EM INTERPRETAÇÃO DE CRISTINA MOTTA