quarta-feira, 25 de março de 2009

MORFOGRAFIA

Dizem-me ser, eu, inspirado e talentoso.

De que me adiantam inspiração e talento,

Se não posso eu escrever como desejo?

Tenho, cá, teclas, lápis, caneta, papel...

Tenho noites insones e motivos mil...

Tenho as chances e grande lampejo...


Mas que tipo de talento é esse, o meu?

Que inspiração é essa que me vem?

E que serventia têm tais tormentas?

Trocaria, eu, hoje, qualquer escrito

Feito como todos os ditos escritores

São capazes de fazer em ferramentas...


Eu queria, então, escrever da forma exata

Que meu coração me pede para escrever...

Iluminar-se-ia, então, todo sonho em breu;

No mais belos de todos os meus escritos...

Queria escrever minh’alma na alma tua;

E grafar o teu corpo, com o corpo meu!

3 comentários:

telmachado disse...

Pois deixe o seu coração 'ditar' e o resto do corpo 'completar' a poesia que a sua alma te faz inspirar...
Lindo demais!
Você é surpreendentemente genial!

espelhoabstrato disse...

Para a mesma genialidade de sempre, o mesmo comentário exclamativo de sempre:
!!
Lindo!

fabiana disse...

Nossa! Às vezes algumas palavras bem escritas ou poderia dizer "bem ditas" aquecem um corpo, uma alma, um coração! Creio que a musa deste poema (seja ela quem for) deixar-se-á, então, grafar com letras MAIÚSCULAS, com todo esse desejo, pois seu corpo, depois disso, já se encontra preparando-se para receber o teu!