sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

ADAPTAÇÃO NECESSÁRIA...

NO MEIO DO CAMINHO (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)


"No meio do caminho tinha uma pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho

Tinha uma pedra

No meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento

Na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

Tinha uma pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra"


É, meu caro Drummond! Por essas e outras é que eu, agora, só ando muito bem equipado!

VALORES

Existem tantas coisas que eu ainda não sei...

E outras tantas às quais eu jamais saberei...

No entanto, do que sei, não duvido jamais,

Assim como sei valorar o menos e o mais.

Sei que creio no que meu coração me diz:

Amar você é, sim, bem maior que ser feliz!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

COMEÇO. FIM. E VOLTA (CHANDRA LASSERRE).



E tudo em minha volta é volta.

Vivendo em princípios que partem de um mesmo lugar,
final afinal levando ao princípio.
Volta.

Vivendo enfim em fins, mortes e depois vindas,
idas e depois vidas.
Volta.

Vivendo em dúvidas e em dívidas, pagando e deixando pra lá
anunciando certezas e zeros.
Volta.

Vivendo em estacas zeradas e zeros de esquerda. Sem iniciar o que não parou, sem deixar o que não se deixa.
Volta.

E se no fim das contas descobre que continua contando, é volta. Não é fim.


Conheça mais sobre a autora em:
http://senhoritalasserre.blogspot.com/

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

THE DAYS AFTER THE DAY OF POSSESSION


E Mr. Barack Hussein Obama Jr. tomou posse!

E agora, José? Digo, e agora, Obama? Você mesmo já deixou claro que os resultados serão a médio e longo prazos, mas a euforia da eleição do primeiro “presidente negro” (?) dos Estados Unidos parece ter amalgamado sonho e realidade na mente de muitos dos seus compatriotas e de outros tantos obamaníacos mundo a fora. Os cartazes exibindo “Yes, we do!” em substituição ao “Yes, we can!” preocupa! What we do, Mr. President? Ainda nada, após a concretização do primeiro sonho. Mas a dura realidade está já porta a dentro. E sem ter batido antes!

É verdade que a cordial transição com Bushinho, a aproximação com Hillary (agora Secretária de Governo) e a presença de John McCain na sua posse (você pediu conselhos a ele!), demonstram uma mentalidade nova, uma visão mais democrática da “Democracia Americana”. Mas será que o Congresso congraçará com as suas idéias? Será que os radicais, os extremistas e os racistas que ainda infestam a sociedade americana aceitarão este misto de John Kennedy com Martin Luther King? Será, será que será, que será, que será (como disse Caetano em ‘Podres Poderes’) que a teoria encontrará espaço na prática? O sonho se adaptará à realidade?

Você diz, Barack, que as suas prioridades são cinco: a economia, o fim da guerra no Iraque, a saúde pública universal, a segurança nos Estados Unidos e a recuperação da liderança mundial. Aí, Junior, eu não sei se fico feliz ou se me zango com você. Feliz por ver prioridades não belicistas, ou zangado por ver que vocês continuam desconhecendo o que disse Copérnico, e, pior, ainda acham que a Terra gira em torno dos Estados Unidos. Poxa, Obama! A economia, é mais que óbvio; O fim da guerra no Iraque, mais que uma obrigação (uma vez que vocês nem deviam tê-la iniciado); A saúde pública universal é de doer! Agora o mundo só já não serve como apêndice americano. Vocês querem o universo!; A segurança dos Estados Unidos (convenhamos) depende mais do comportamento de vocês que do resto do mundo (afinal, quem bate, tem que estar preparado para, um dia, apanhar); E quanto à recuperação da liderança mundial, cá pra nós, vocês sempre estiveram mais pra chefes que pra líderes (se é que o Senhor Presidente me permite a sutileza).

Talvez se vocês se preocupassem mais com os seus problemas internos e não tratassem o resto do mundo como nós tratamos os nossos índios, não tivessem tempo de interferir tanto na soberania alheia. Como vocês matam jovens soldados! A soberba americana é infanticida, Barack! Não basta fechar Guantánamo! Preocupe-se com os direitos humanos “numa visão mais macro” (como diz o meu amigo Ulisses Amorim!). Comece fazendo com que a ONU passe e ser um a entidade respeitável, devolvendo a dignidade que vocês retiraram dela com o poder de veto no Conselho de Segurança. Troque parte dos gastos com armamentos e invista em suprimentos para as regiões famintas do planeta. Não sei se você lembra disso, mas um animal acuado e com fome é extremamente perigoso! E nós, embora nos arvoremos racionais, Mr. President, somos, indubitavelmente, animais.

Acho legal o senhor estar preocupado em pedir às indústrias americanas que produzam carros mais econômicos, capazes de reduzir o consumo, levando-os a não precisar comprar o excedente. A auto-suficiência é bacana! Mas deixe eu lhe contar uma coisa: é bacana pra todo mundo! E, não custa lembrar, o mundo não se resume às suas fronteiras! Mas será que esses carros serão menos poluentes? Será que vocês vão reduzir a emissão de CO2? Vão levar o acordo de Quioto a sério? Nós podemos, Barack? Que bom seria sempre poder crer no “We can”!

Congelar salários de sua equipe, proibir funcionários de receberem presentes e prometer um governo de ética e austeridade, onde a transparência e a lei vão imperar, soa bonito! Fazer um ‘governo interativo’, utilizando os novos recursos da Internet, também é porreta! Mas incluir reforma de gramado no Plano de Recuperação e Reinvestimento (825 mil milhões de dólares!) me parece um tanto descabido. Mas, perdoe-me se falo bobagem. Sou apenas um professor de uma cidade do interior de uma das regiões mais pobres de um país de terceiro mundo! Não sou inteirado dos problemas do universo como os republicanos e alguns democratas que votaram contra o senhor no congresso. Mas porque foi mesmo que eles votaram contra? John Boehner, o líder da minoria republicana justificou-se assim: "Duvidamos que os investimentos previstos se traduzam imediatamente na criação de emprego. A proposta tem demasiada despesa". Revanchismo?

É, Barack Obama, os problemas começaram. Mas isso já era de se esperar. O negócio é arregaçar as mangas e não esquecer: “Yes, we can”! E, se eu puder ajudar em alguma coisa, me manda um e-mail!