segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

2010

Um dia de 24 horas, como são todos os dias, chega ao fim e se transforma em outro dia, como em todos os dias. Mas este dia é o último de um ciclo que chamamos de mês. Então, temos um mês que se transforma em outro mês. Como em todos os doze meses do período que identificamos como ano. E este é o derradeiro dia deste período. Uma prática que ocorreu invariável nos últimos 365 dias. Um dia como todos os outros! Certo?

Errado!

Por uma inexplicável razão, todos os sonhos, vontades e projetos que foram se acumulando na rotina do passar desses 365 dias, tomam força em nossas mentes, almas e corações... E explodem! Explodem como fogos de artifício a anunciar uma nova era!

Então, damos de fazer planos, promessas, criar objetivos e retomar os que foram abandonados. Nos propomos a olhar ao outro com olhos mais benevolentes, a mudar nossos parâmetros de julgamento e, no auge da euforia que nos toma e domina, até mesmo a não julgar!

Mudamos a nossa rotina e não vamos dormir... Ficamos esperando o relógio, o mesmo relógio que nos acompanhou nos últimos 365 dias, marcar os últimos segundos deste dia. Engraçado como esta pequena fração de tempo à qual só damos importância nos eventos esportivos, o segundo, tão ignorado e desprezado por um ano inteiro (Você já marcou algum compromisso às 17h30min27seg? Ou colocou o despertador para as 5h45min32seg?) toma uma enorme proporção, se agiganta em milhões de vozes pelo mundo afora em ordem decrescente, partindo do dez...

E o ano muda! E nem tudo muda com ele! E nem todos os planos se concretizam! E nem todas as promessas se cumprem! E os erros se repetem...

Mas o que importa mesmo, é que, num ciclo muito maior que estes 365 passados, ou os 365 dias futuros, pelo menos por um segundo, nos permitimos exercitar o melhor de nossas intenções, podemos ver que existe em cada um de nós um ser humano melhor. E, concretizando-se ou não, esta coisa chamada esperança, nos alenta e revigora dentro de um ciclo mais importante que qualquer outro: aquele que dizemos VIDA!

Então, feliz hoje, feliz amanhã, feliz Ano Novo! Mas, principalmente, FELIZ VIDA! Que 2010 seja um belo pedaço dela!


O CARINHO DE UMA CERTA BRUXINHA!

"Desejo a você a alma do mundo, para que possa desfrutar da beleza serena de um coração; desejo a você o sorriso de uma criança, para que possa sentir a pureza da gratidão; desejo a você o carinho de uma mão estendida, para que sinta na alma o quanto é querido; desejo que a lua sorria pra você, transformando sua luz em algo esplendoroso; desejo que o sol seja quente, tão quente de ternura, que acalente seu coração; desejo que a chuva seja tão refrescante que encha de sorrisos a sua alma... Desejo que sinta o quanto meu carinho, admiração, ternura e doçura resplandece por você, simplesmente por você ser você... Obrigada por estar, ser, permanecer..."

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

UNIÃO

O amor
Abraça
O desejo
E, juntos,
Desafiam
O tempo;
Que cede
Ao prazer
Infinito!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

MIL E UMA NOITES!

حلم اللقاء بين الدلفين والفراشة أصبحت حقيقية


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

NOSSOS MOMENTOS (Arnaldo Black / Carlos Rennó)

Sozinhos e juntos na dor e no prazer
Nas fases difíceis e nas fáceis de viver
Tivemos dia a dia tristezas e alegrias
Belezas, fantasias e tantas outras coisas em comum
Em busca dos sonhos de felicidade a dois
Por vezes estranhas à realidade a dois
Nós temos mais que um dia
Momentos de poesia tão claros e tão raros
Que neles nós vivemos algo incomum

Neles, tudo mais pára
Nada mais se compara
Ao par, ao casal que somos nós dois
Sem par, sem igual
Nossos momentos não têm antes nem depois

Sozinhos e juntos na dor e no prazer
Nas fases difíceis e nas fáceis de viver
Tenhamos outras vezes momentos como esses
Instantes transcendentes
Instantes em que somos como dois em um

Neles, tudo mais pára
Nada mais se compara
Ao par, ao casal que somos nós dois
Sem par, sem igual
Nossos momentos não têm antes nem depois

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

SILENCIADO

Que a navalha escondida
No som das minhas palavras
Corte-me a garganta
E emudeça-me
Antes que,
Mesmo sem querer,
Possa ferir-te,
Ainda que de raspão.

sábado, 21 de novembro de 2009

PROMESSA!

Amar-te...

Com o carinho que Deus daria...

Com o tesão que o diabo teria...


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

ELEMENTOS, ELEMENTAL, ELEMENTAR!

(...)Ter, com o seu tempo, inteira paciência;
E ver toda beleza da mulher-menina
Tomar-me com a força da sua cadência.(...)

CLIQUE AQUI PARA LER TODO O SONETO

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

LÚDICOS INFANTES

Duas crianças
Brincando
De felicidade
No parque
Do amor!

Escorregador,
Gangorra,
Sorvete
E maçã
Do amor!

E riem;
E se riem;
E dão as mãos;
E se dão, no dom
Do amor!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

RÉVOLUTION

Poesia
Magia
Baía
Da Guanabara
De Todos os Santos
De Dias
De dias claros
De noites de lua
Lume da lua
Clair de lune
Lumière
Mère
Merci
Por ti
Denise
De Dionísio
Da festa
Da música
Dos sons
Diversos
Dos versos
Poesia

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

SUFICIENTE

Em alguns momentos, me bastavam um sorriso e um “eu te amo” sincero, espontâneo e desinteressado!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

DELPHÍS


Se aos olhos se oculta,
Cabe a mim revelar ...
Envolto no seu corpo,
Sou amplo como o mar;
Sou alegre, belo e livre,
Como golfinhos a nadar!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O MUNDO DIGITAL (RODRIGO MACHADO)

A tecnologia vem se tornando definitivamente o uso da sociedade. Como consequência, tudo tende a se digitalizar, dos conhecimentos científicos e das artes às opiniões e às relações humanas.
Há quem se incomode e quem resista a isso, mas todos os esforços se mostram inúteis, já que não é possível regredir tecnologicamente.
É necessária a adaptação de todos à nova era. A informação se propaga de forma veloz com a popularização das tecnologias, em especial do compu-tador, que já faz parte da vida de boa parte das pessoas.
À primeira vista, isso parece maravilhoso, mas também há um lado negativo. Junto com verdades comprovadas e notícias verdadeiras, também circula muito lixo eletrônico e boatos de grandes proporções sobre todo tipo de coisa. Isso interfere também na mídia escrita e televisionada que, na ânsia por dar a notícia primeiro, espalha informações falsas e terminam promovendo o sensacionalismo e a falta de ética.
Além do caos criado no mundo da informação e do conhecimento, o lado humano do problema da digitalização também deve ser levado em consideração. Por mais que a comunicação entre as pessoas seja incrivelmente facilitada, é perceptível a crescente frieza nas relações interpessoais, que se tornam cada vez mais rápidas, práticas e distantes emocionalmente.
A falta de bom senso ao lidar com a tecnologia gera esse tipo de problema e aumenta a semelhança entre o homem e sua criação, a máquina.
De fato, o nosso mundo digital traz consigo efeitos colaterais variados. No entanto, a humanidade já passou por problemas muito mais graves e ainda passa, então isso não deverá ser de difícil recuperação. Com equilíbrio e ética, para não se deixar dominar pelo próprio progresso, o lado negativo da tecnologia pode ser sobrepujado e restarão apenas os benefícios.

ELEGIA (CAETANO VELOSO)

Deixa que minha mão errante adentre
Atrás, na frente,
Em cima, em baixo, entre
Minha América, minha terra à vista
Reino de paz se um homem só a conquista
Minha mina preciosa, meu império
Feliz de quem penetre o teu mistério.
Liberto-me ficando teu escravo
Onde cai minha mão, meu selo, gravo
Nudez total: todo prazer provém do corpo
(Como a alma sem corpo) sem vestes
Como encadernação vistosa
Feita para iletrados, a mulher se enfeita
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns a que tal graça se consente
É dado lê-la.
Eu sou um que sabe...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A GRANDE BORBOLETA (CAETANO VELOSO)


A grande borboleta
Leve numa asa a lua
E o sol na outra

E entre as duas a seta

A grande borboleta
Seja completa-
Mente solta

ÒSÓÒSÌ



sábado, 15 de agosto de 2009

GATA

Uma gata manhosa
Ronrona mansinho,
Enrosca carinho,
Solta pelos
Pelos caminhos.
Uma gata dengosa
Morde mansinho,
Arranha carinho,
Solta pelos
Pelos caminhos.
Em segredo,
Cheia de dengo,
A gata mia...
É gata de padaria!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

I HAVE A DREAM

CULTURA

Que nada, moço.
Não é minha, não senhor.
Cheguei, já tava;
Se eu sair, continua.
Ela é de todo mundo;
É de ninguém, é sua.
Tem gente que se adona,
Mas essa dona é à toa.
Avôa por todo canto
E pousa no meio das ruas.

PASSADO

O passado passou...
Passou por mim ontem.
Passou apressado...
Passou por passar?
Porque passou?
O passado,
Que eu supunha
Ultrapassado,
Ultrapassou-me,
Rapidamente,
E eu tornei-me
Passado
Do passado
Que por mim
Passou
A passos largos.
Largo tudo
E vou atrás?

domingo, 9 de agosto de 2009

SOU PAI

E Ele, o Pai, criou-me.
E fui eu a vagar...
Um ser à toa...
Longe da origem...
Longe de Deus...
E, lá um dia,
Fez-se a magia
Da transformação...
Nem noite, nem dia...
Nem momento,
Nem magia....
Fez-se um outro eu;
Um outro de mim...
Acabou-se aquele
Que nem vem, nem vai.
Deixei de ser-me
E tornei-me melhor.
Já não sou homem.
Já não quero ser Deus.
Hoje sei-me.
Hoje, sou pai!
Nem por Deus,
Nem por mim.
Sou pai pelos filhos
Que me amam assim!

DESISTI E CONTINUO...

E pensar que, um dia, eu quis morrer.
Que belo e intenso é viver...
Quantas surpresas nos trazem o amanhã...
E se boas não forem;
Sobreviva para a próxima surpresa boa!
E, depois dela, aguarde a que virá!
Um dia de cada vez;
Pois um dia dura um dia...
E cada dia é uma vida
que se viveu antes do amanhã
e depois do ontem...
E, viver, é bem maior
Que sofrer ou sorrir!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

EM UM INSTANTE

Ver todo o universo fluindo através dos seus olhos;
Ter todo o universo fluindo através do meu peito;
Saber-te todo o universo e fluir através do seu corpo;
Sentir todo o universo fluindo através do seu gozo;
Sentir-me o amante do universo e fluir através de ti.
E todo o universo flui, enfim, através do nosso amor!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

AMOR DE ANJOS

Eu sei que havia festa entre os querubins
E que eles pulavam alegres entre nuvens,
Rindo como crianças pelos cantos do céu;
Fazendo ciranda ao redor do nosso amor.

Por vezes eu cheguei a ouvir suas risadas.
E essas belas crianças que no céu moram
Giravam contentes em um carrossel de luz,
Espalhando pelo firmamento o nosso amor.

Também sei eu o por que de tanta alegria;
O motivo que os fez cair nessa folia tanta:
Por saberem que foi candura o que se fez
Enquanto outros dois anjos faziam amor.

sábado, 11 de julho de 2009

DESAGRAVO AO DOMINGO

Tantos criticam o domingo...
Tantos o vêm apenas como
Um prenúncio da malquerida
E malvinda Segunda-feira
(Também injustiçada...).
Tantos o olham o último...
Como o último dia
De uma semana que se foi...
Um dia sem cor...
Ou com cor de melancolia...
E assim o domingo
Leva uma fama que não tem.
Transferem para o domingo
A solidão que é de cada um;
A desesperança egoísta;
A culpa que dele não é!
A ressaca de um sábado
De artificial alegria!
O domingo é o dia primeiro,
O recomeço, o reinício,
A oportunidade de refazer,
Retomar, recomeçar...
Dia de repouso e oração,
De buscar-se em si
(E, talvez, daí, vir o hábito
De dar a ele a nossa feição);
Esse é o verdadeiro domingo!
Assim, pois, honestamente,
Antes de dar ao domingo
O desânimo que de ti flui,
Busca nele, então, o reanimo
Que só o domingo possui!

terça-feira, 30 de junho de 2009

domingo, 28 de junho de 2009

É CAMPEÃO!

A Seleção sagrou-se campeã da Copa das Confederações ganhando de virada dos Estados Unidos. Só a Espanha tomou menos gols. Ninguém fez mais. Tivemos o melhor saldo. Saímos invictos (sem empates). Tivemos os dois melhores jogadores da Copa (segundo a FIFA) e o artilheiro (Luiz Fabiano, com cinco tentos marcados). Em suma: numericamente incontestável.

Mas torcedor que é torcedor reclama mesmo na vitória. E eu sou torcedor. Não me considero experto em tática futebolística. Tampouco jogo bem. Mas, não somente neste jogo, xinguei muito o Robinho (excessivamente individualista e sem objetividade na maioria dos mais de 450 minutos de bola rolando). Também não gosto de ver o Brasil jogando “de igual para igual” com times nitidamente inferiores tecnicamente.

Tá legal! Somos campeões. Mas alguns jogos foram verdadeiras torturas. Vá lá que no primeiro jogo estávamos vindo de jogos da Eliminatória, atravessamos o Atlântico e enfrentamos o fuso horário. Relevo. Mas, contra a África do Sul, não tinha nada disso. E não me venham com essa conversa de que não tem mais ninguém bobo no futebol. Ser bobo é uma coisa. Jogar no mesmo nível é outra, completamente diferente. Ganhamos. Sim, ganhamos. Mas de bola parada, numa cobrança de falta.

E hoje (É CAMPEÃO) não entramos em campo no primeiro tempo. Não entramos porque aquele jogo não é o jogo do Brasil. Balãozinho na área; chutão pra frente; passes errados de monte; escanteios sendo cobrados fechados, facilitando a vida do goleiro deles (que foi considerado o melhor da competição) e inúmeros rebotes perdidos.

No segundo tempo, nas poucas vezes que jogamos do jeito que até eu, que sou um grandessíssimo perna-de-pau, sei que é o bê-á-bá do futebol, com a bola no chão, aproximando os jogadores, abrindo pelas pontas e tendo para quem cruzar (balãozinho é bola rifada, do tipo “deixa ver se alguém pega”), fizemos dois gols e tivemos um “garfado” pela arbitragem.

O terceiro gol teve duas características que faltaram e irritaram durante todo o jogo: uma foi a cobrança de escanteio aberta, buscando quem vem de trás. A outra foi a presença de Lúcio (um guerreiro com espírito de guerreiro!) na área. Nas poucas vezes que Lúcio fez aquilo que nos acostumamos a ver, partindo pelo meio de campo e marcando presença na área, fomos um time sem medo de quem deveria nos temer.

Não jogamos bem em vários momentos. Demos sorte em outros tantos. Fomos a Seleção Canarinho durante minutos que foram suficientes para nos dar o caneco.

Pronto! Já desabafei! Como todo bom brasileiro, também sou “técnico”, reclamador, quero sempre espetáculo... Mas, no final das contas, abro o peito e berro a cada gol e, mais ainda, quando grito É CAMPEÃO!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

WHO’S BAD?

Gary, 29 de agosto de 1958 - Los Angeles, 25 de Junho de 2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

REZA DE CANTADÔ

Do mosaico encraquilhado

Que surge nas cicatrizes

Da terra castigada pelo sol,

Brota a face do cantadô.

Cabra que faz canto do pranto;

Da dor, a beleza da arte

E de cada novo dia radiado,

A esperança de um amanhã.

Canta feito assum ou curió,

Solta a voz no pasto seco,

Mostra seu repente, seu aboio,

Seus xotes, baiões e xaxados.

Faz a vida mais alegre,

O peito se assossega,

E a fé não esmorece

Quando a reza é cantada

No lamento da viola,

Na voz de um cantadô!

MEMÓRIA DA PELE (JOÃO BOSCO / WALY SALOMÃO)

Eu já esqueci você

Tento crer

Nesses lábios

Que meus lábios sugam de prazer

Sugo sempre

Busco sempre

A sonhar em vão

Cor vermelha carne da sua boca

Coração...


Eu já esqueci você, tento crer

Seu nome, sua cara, seu jeito, seu odor

Sua casa, sua cama

Sua carne, seu suor

Eu pertenço à raça da pedra dura


Quando enfim juro que esqueci

Quem se lembra de você em mim

Em mim

Não sou eu

Sofro e sei

Não sou eu

Finjo que não sei

Não sou eu...


Sonho bocas que murmuram

Tranço em pernas que procuram enfim

Não sou

Eu sofro e sei

Quem se lembra de você em mim

Eu sei, eu sei...


Bate é na memória da minha pele

Bate é no sangue que bombeia

Na minha veia

Bate é no champanhe que borbulhava

Na sua taça e que borbulha

Agora na taça da minha cabeça


Eu já esqueci você

Tento crer

Nesses lábios

Que meus lábios sugam de prazer

Sugo sempre

Busco sempre a sonhar em vão

Cor vermelha, carne da sua boca

Coração...


CIQUE AQUI E ASSISTA AO VÍDEO

MOMENTO (LETRA: CARLOS SAMPAIO / MÚSICA: WILSON ARAGÃO)

Chove inconsequente na província,

Vesperal de inverno.

As noites são aquáticas

Navegamos ruas etílicas

Quando não mais escutamos

O solfejar do cancioneiro gitano.

No pelourinho cresce o sexo

Anísio melhor hasteia a bandeira,

Livre do são João de Deus.


Chove inconsequente na província,

Vesperal de inverno.

Camacã conta o mundo

Edson Diniz teme a execução de Bach

Jehová de Carvalho é passo na noite

E a égua relincha madrinhando estradas.


Chove inconsequente na província,

Vesperal de inverno.

Cuide Nery dos loucos

Pois a viagem se fez viúva

Com a morte do seu amor turístico,

Quando o navio apitou.


Chove inconsequente na província,

Vesperal de inverno.

Se as noites são aquáticas

E navegamos ruas etílicas

Meus cavalos partem em despedida de tempo


CLIQUE AQUI E ASSISTA AO VÍDEO COM WILSON ARAGÃO

sábado, 2 de maio de 2009

VIAGEM (JOÃO DE AQUINO E PAULO CÉSAR PINHEIRO)

Oh, tristeza me desculpe

‘tou de malas prontas

Hoje, a poesia, veio ao meu encontro

Já raiou o dia, vamos viajar


Vamos indo de carona

Na garupa leve do tempo macio

Que vem caminhando desde muito longe

Lá do fim do mar


Vamos visitar a estrela

Da manhã raiada

Que pensei perdida pela madrugada

Mas vai escondida querendo brincar


Senta nessa nuvem clara

Minha poesia

Anda, se prepara, traz uma cantiga

Vamos espalhando música no ar


Olha, quantas aves brancas

Minha poesia

Dançam nossa valsa pelo céu que o dia

Fez todo bordado de raios de sol


Oh, poesia, me ajude

Vou colher avencas

Lírios, rosas, dálias pelos campos verdes

Que você batiza de jardins do céu


Mas pode ficar tranquila

Minha poesia

Pois nós voltaremos numa estrela guia

Num clarão de lua quando serenar


Ou, talvez, até quem sabe

Nós só voltaremos

No cavalo baio, no alazão da noite

Cujo nome é Raio... Raio de Luar



CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR O VÍDEO COM A CANÇÃO, EM INTERPRETAÇÃO DE CRISTINA MOTTA


terça-feira, 21 de abril de 2009

...O MEU AMOR É O MEU AMOR...

...o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu mor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor é o meu amor...


ÀS VEZES FALTAM PALAVRAS... ENTÃO EU AS REPITO

DAMA NEGRA

ÀS VEZES FALTAM PALAVRAS... ENTÃO EU COLORO O PAPEL!

CARRANCA

ÀS VEZES FALTAM PALAVRAS... ENTÃO EU RISCO O PAPEL

LAST SOLDIER

ÀS VEZES FALTAM PALAVRAS... ENTÃO EU BORRO O PAPEL!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

sexta-feira, 3 de abril de 2009

FAXINA

Não escrevo para ser lido, muito menos apreciado; mas para expurgar-me de mim!


O que faço não é arte, é catarse; uma espécie de exorcismo dos meus anjos do mal e dos meus demônios benignos. Uma faxina geral!


Escrever é a minha garantia na opção pela sobrevivência!

MATA-BORRÃO DE LÁGRIMAS



São quatro horas da manhã e os sinos da Matriz dobram, preenchendo o vazio que ficou depois que a chuva se foi. Prefiro o som da chuva, mas o dos sinos também é interessante. Não sei por que, nem por quem os sinos dobram. Clichê! E a mente me leva a um subsolo na Avenida Sete, onde havia (ou há) a clicheria Senhor do Bonfim. Tempo sem computadores e impressoras, onde logomarcas eram fundidas em logotipos e tinha a função de timbrar os papéis. Lapiseira 0.1 e canetas nanquim. A defesa do polvo não inunda mais o mar de negro. Está aprisionada no êmbolo da caneta e escorre precisa pelo papel. E agora me recordo do primeiro mata-borrão que eu vi, lá em Ponte Nova, na Chapada Diamantina. Estava no posto dos Correios que funcionava ali desde o tempo em que o meu pai era criança. E parte daquela criança que era eu veio dali, daquela cidadezinha. Outra parte veio daqui mesmo, de Santo Amaro. Chapada e Recôncavo, presbiterianos e católicos. Uma mistura interessante! E que interesse pode haver nisso? Sei lá! Apenas acho interessante dizer que é interessante. Only it! Only you can make the darkness bright! Negra música. Negro nanquim. Hoje traço os meus traços através de um monitor. Não há mais lapiseiras ou canetas; uso o mouse! Também não tem mata-borrão. Mas tanto faz. Nunca usei um mesmo! Nunca usei um monte de coisas. Já usei outras tantas. Parei de usar umas; continuo usando outras. Usarei outras tantas que eu nem sei existir. “Penso, logo existo”! Então eu existo mesmo! Por que penso muito. O tempo todo. Um turbilhão! Tanto que agora Vinicius invade-me a idéia, só por conta da palavra turbilhão! E o pior é que outros pensamentos circulam livremente (livre mente), mesmo com a canção na cabeça (“venha se perder nesse turbilhão/não se esqueça de fazer/tudo que pedir/esse seu coração”). “Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim”! E no disco rígido da minha mente há tanta coisa na memória que poderia ser deletada. Bem, na verdade, acho que não! Deve servir pra alguma coisa. Um dia descubro. E “em pleno mês de abral, Cabril descobrau o Brasal”. Trocadalho do carilho? Altamiro Carrilho e Waldir Azevedo. Chorinho! E voltou a chover! A madrugada chora! Vou chorar um pouquinho também e tentar dormir um pouco, antes que os sinos do despertador dobrem a minha vontade de continuar deitado. Ponto final.

POEIRA PUERIL

Ciranda, cirandinha
De um sonho que se foi;
Não tem Cuca pra pegar,
Nem a cara preta do boi.

Dorme, dorme, pequenino,
Ninguém canta mais pra mim;
Tantas curvas no destino
Tudo está chegando ao fim.

E o anel que tu me destes
Já não cabe no meu dedo.
Nortes, suis, lestes e oestes;
Descaminhos deste enredo.

Todo vidro se quebrou;
Estilhaços dos meus sonhos.
E o espelho que restou
Reflete olhos medonhos.

Cirandas, cirandinhas!
Eu sou pobre, pobre, pobre.
Do amor que tu me tinhas,
Nada me restou de nobre.

POEMA SEM LUA

Entre a chuva e a escuridão;
Entre a cama e o coração;
Entre o sonho e a solidão;
O que existe não sou eu,
Mas a penumbra do que fui;
Um espectro incolor daquele
Que amava, sorria e teimava,
Dia após dia, em ser feliz.
Findo o drama, não há aplauso
E a cortina fecha bem devagar,
Ocultando a dor e o lamento.
Cai o pano da noite vazia
E nada bóia no firmamento.
Desejo-me mais sorte amanhã:
Merda!

É QUASE ISSO

Às vezes, no meio da madrugada, fico me perguntando por que não deito pra dormir. Mas, se eu dormir, quem é que vai conversar comigo? E tem mais: os sonhos que sonho acordado são bem mais interessantes, para mim, que os que sonho dormindo. Aí o dia amanhece outra vez e tenho que ir pra rua fingir que acredito nas pessoas que fingem que acreditam em mim.
A cada dia que passa, tenho mais consciência de que não tenho consciência de nada. Então, questiono tudo e espero a madrugada chegar, para o mundo ir dormir e eu poder conversar comigo.
Quando não estou a fim de papo, boto um disco pra tocar e vou dançar com meus fantasmas. Eles nem dançam tão bem assim; mas eu também não. É só por farra; pra desopilar o juízo e dar risada!
Se eu contar isso pra alguém, vão dizer que sou maluco. Então não conto pra ninguém. Em vez de falar, escrevo. Aí, se alguém achar que é coisa de doido, posso dizer: que é isso, irmão? Isso é criatividade de escritor! Não acredite em tudo que você ler. Às vezes não é verdade; noutras, é só mentira!
E por aí vai...

FANTASMAS


No ensurdecedor silêncio das noites insones, só os meus fantasmas preenchem o vazio da quase solidão. Eles passaram uma temporada afastados e agora voltaram a me fazer companhia madrugada a dentro. Gosto dos que conversam comigo; divirto-me com os que dançam pela casa; mas, não há como negar, sinto uma certa antipatia pelos que permanecem quietos, silentes, com os olhos fixos em mim. Sei que não me farão qualquer mal, mas há muito não gosto mais do velho jogo de “pegar sério”. Muitas vezes ignoro-os e fico a dialogar com os que falam, ou a bailar com os que dançam. No entanto, quando os olhares estáticos incomodam demais, fito-os com a determinação dos famintos e entro no jogo para vencer.
Às vezes são horas sem piscar, olhando através daqueles olhos que me mostram a minha trajetória. Coisas que me alegram e que, também, me entristecem! Mas sei que é tudo para me distrair, para me trair, me fazer sorrir ou piscar. Não pisco! Lamento apenas por perder a companhia dos falantes e dos dançantes que, sem a minha atenção, se vão! Ao contrário desses jogadores impassíveis, que quanto menos atenção, mais permanecem!
E o jogo continua até a exaustão da noite, que se recolhe e dá lugar a mais um dia. Neste instante, eles param o jogo sem pedir licença e também se vão. Aí, não sei bem se por ter ficado tanto tempo sem piscar; se por tudo que me foi mostrado; as lágrimas brotam involuntárias e me lembram que, lá fora, há outro dia a percorrer, com sua rotina, suas regras, seus minutos invariáveis.
E eu, obedientemente, atendo ao que as lágrimas me dizem. Lavo o rosto, tomo banho, visto-me e abro a porta da rua. Lá fora, olho as pessoas que também saem de suas casas e sigo, imaginando se os seus fantasmas também as visitam nas madrugadas insones ou se escondem, perversos, no fundo dos seus corações!

PROVINCIAL EXISTÊNCIA / PROVÍNCIA EXISTENCIAL


“Chove inconseqüente na província,
Vesperal de inverno”!
Os versos de Carlos Sampaio
Despencam sobre mim
Enquanto o temporal inunda
As velhas ruas da cidade.
Agora em casa (?),
Já não mais encharcado,
Tento acompanhar o ritmo
Do tamborilar das goteiras
Sobre o forro da sala;
Pequenas cascatas
Escorrem sobre o cal
Das paredes mortas.
As poças no tabuado bicolor
Dão à madeira um brilho
Há muito perdido no tempo.
Pelos vidros da janela
Os relâmpagos clareiam
A noite dos meus olhos.
Onde estão a cair os raios?
Onde estão a cair meus sonhos?
Que há por dentro das nuvens?
Que há por dentro de mim?
“Chove inconseqüente na província,
Vesperal de inverno”!