domingo, 28 de dezembro de 2008

AMBILÁTERO

Daquilo que chamo de eu,

Brota uma paz celestial.

Naquilo que chamo de eu,

Repousa um ser bestial.


Há o meu lado belo jardim;

Mas há também o erva-daninha.

Há o trôpego sem rumo;

Mas há aquele que certo caminha.


Existe o que de leve afaga;

Mas existe o que fere sem piedade.

Existe, em mim, régua e prumo;

Mas existe também um ser amorfo, sem idade


Tenho comigo a voz que acalanta;

Mas tenho, do mesmo modo, o grito que irrita.

Tenho cá dentro, diversos conselhos;

Mas tenho, do mesmo modo, uma dor contrita.


Aqui habita aquele que te ama;

Mas também habita o que te deixaria.

Aqui habita o homem mais sincero;

Mas também um ser que trairia.


Daquilo que chamo de eu,

Brota uma paz celestial.

Naquilo que chamo de eu,

Repousa um ser bestial.

Um comentário:

daniel mendes disse...

Muito bom Marco; adorei...