sexta-feira, 28 de março de 2008

FLYING...

Uma janela que não deixa ver muito além de mim mesmo me faz voltar para as lembranças do jamais esquecido. Não há sentido em olhar para fora de casa, nem para fora de mim. Tudo que eu consigo ver está aqui guardado e nada, nem ninguém, será capaz de modificar ou apagar. - De que me serve então ter janela? Deveria eu me perguntar. Mas para que me questionar sobre algo patentemente latente em todos os cantos de mim? Algo pateticamente exposto aos olhos de quem não consegue enxergar a verdade, ou tem medo de confessar sabê-la e temê-la como real. E já nem isso quero mais: questionar-me, questionar-te, questionar qualquer questão. Não faço mais questão de nada, nem de tudo. O que tive não era meu. Ou, se era, não era como deveria ter sido meu. Não era meu de qualquer forma. Nem de ninguém. Lampejos... Insights... Palavras no divã... Diz vãs palavras, pois não vais me convencer! Freud, Jung, Lacan, teste de Rorschach… Manchas no papel pra quem quiser decifrar. Decifra-me ou devoro-te! Devora-me pois! Mas não tarda, já que já me devora o eu que eu nem sei se eu sou! Rodo pela sala, pelo quarto, pelo corredor. Rodo em mim mesmo numa seqüência ilógica de rotação, translação e revolução típica dos aluados e não dos selenitas. E a esperada marcianita “branca ou negra, gorduchinha, magrinha, baixinha ou gigante” esquece-se de vir nos anos 70 e nos seguintes também! E eu paro! E de estagnado para esta guinada em direção ao futuro vou mais rápido que a evolução do início de 2001! E nem Zarathustra num tapete persa, nem Eumir Deodato no seu arranjo genial para o poema sinfônico de Richard Strauss conseguiriam prever o que a filha do Caos faria depois. Mãos dadas, a noite e eu, somos imbatíveis. E eu sei o que me resta! Uma janela que não deixa ver muito além de mim mesmo me faz voltar para as lembranças do jamais esquecido. Não há sentido em olhar para dentro de casa, nem para dentro de mim. Nada pode segurar um salto para o infinito! Vou! Vôo...

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