quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

FOLHAS

Se tudo que enxergo
Ao olhar uma folha
De papel em branco
Fosse passível de ser,
De forma coerente,
Transformado em versos,
Criaria eu uma obra
Fecunda, infinita...
Mas as florestas...
Ah! Estas, lamento,
Pereceriam de vez
Ante tão profícua
E voraz produção.
Mas, felizmente,
Minha incapacidade
Faz-me ecológico.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

PACIFICADORA




Na trincheira onde eu,
Sem eira nem beira,
Guerreava em vão
Contra o desconhecido
E cruel inimigo
Por muitos conhecido
Como sendo eu,
Só havia o fétido odor
Da dor de não saber
Como estancar as feridas,
Como retomar a vida,
Como retornar pra lá,
Para onde eu já esquecera
O caminho de voltar.
E entre o vencido soldado
E o derrotado guerreiro,
Encontro, jogado,
Um sinalizador.
(Sinalizo a minha aos céus).
Véus de fumaça deram lugar
A um clarão absoluto.
E agora já não mais luto
Contra mim mesmo.
Não vivo mais a esmo.
No clarão do fósforo branco,
Brando e encantador
(E a minha foi encantada)
Surgiu, em meio ao breu,
O mais lindo de todos
Os sorrisos que já vi.
Vi o sorriso seu!
Hoje me entrincheiro
Nos seus braços;
Você sorri pra mim
E pacifica a dor!