domingo, 28 de dezembro de 2008

AMBILÁTERO

Daquilo que chamo de eu,

Brota uma paz celestial.

Naquilo que chamo de eu,

Repousa um ser bestial.


Há o meu lado belo jardim;

Mas há também o erva-daninha.

Há o trôpego sem rumo;

Mas há aquele que certo caminha.


Existe o que de leve afaga;

Mas existe o que fere sem piedade.

Existe, em mim, régua e prumo;

Mas existe também um ser amorfo, sem idade


Tenho comigo a voz que acalanta;

Mas tenho, do mesmo modo, o grito que irrita.

Tenho cá dentro, diversos conselhos;

Mas tenho, do mesmo modo, uma dor contrita.


Aqui habita aquele que te ama;

Mas também habita o que te deixaria.

Aqui habita o homem mais sincero;

Mas também um ser que trairia.


Daquilo que chamo de eu,

Brota uma paz celestial.

Naquilo que chamo de eu,

Repousa um ser bestial.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

ENTREVISTA FEITA POR MARIA VITÓRIA DOS REIS ALMEIDA, 11 ANOS, DA 5ª SÉRIE DA ESCOLA PINGO DE OURO, EM 03/11/2008.


Maria Vitória - Como você se classifica: educador, homem ligado à informática, servidor publico, escritor, intelectual, tudo junto, ou o que?


Marco Valladares - Acima de tudo um ser humano preocupado com os caminhos que a humanidade está trilhando. E acredito na máxima que diz que começamos a modificar o mundo a partir do nosso quintal. Ou seja, já que eu não posso aconselhar a toda a humanidade, cumpre-me o dever de esclarecer, instruir e aconselhar àqueles que me cercam. Acredito ser esse o meu papel como educador (palavra que, para mim, não se restringe às salas de aula).

Profissionalmente, hoje, sou um servidor público municipal concursado. Um funcionário da população de Santo Amaro. É o meu ganha pão. E, felizmente, venho exercendo funções gratificantes e prazerosas dentro da Prefeitura.

A informática é apenas uma ferramenta de trabalho, cuja qualidade de uso vai depender do interesse e da dedicação de cada um. Não apenas a internet, mas também diversos softwares existentes, existem para facilitar os trabalhos. No entanto, nenhum deles pode ser colocado como substituto absoluto de nada. É muito bom conversar por MSN, mas somente uma conversa ‘olho no olho’ pode-nos dar a verdadeira dimensão dos sentimentos expostos. Ainda não inventaram ‘emoticon’ capaz de traduzir os verdadeiros sentimentos. É deveras aconselhável usar a internet como fonte de pesquisa, mas é preciso ter discernimento para separar os sites confiáveis daqueles que apenas espalham o que eu chamo de ‘lendas da web’. E principalmente, não se aproveitar da possibilidade de copiar um texto pronto. É fundamental saber lê-lo, compreendê-lo e transcrevê-lo com as nossas próprias palavras. Ou nos tornaremos a ferramenta da ferramenta.

Quanto a ser um intelectual, se você considerar como tal àquela pessoa que acredita que o exercício mental é tão importante quanto as atividades físicas, e, por isso, mantém-se em constante exercício, absorvendo informações, analisando-as, criticando-as, até formar uma idéia própria a respeito de cada assunto, posso ser chamado assim. Mas, se for colocar este adjetivo no sentido de estar intelectualmente acima da maioria das pessoas, jamais serei um. Sou apenas um eterno esforçado.

Em suma, acabo sendo tudo junto. Afinal, todo ser humano é capaz de uma multiplicidade de ações. Realizando umas melhores que outras e buscando sempre melhorar.


Maria Vitória - Os seus colegas e amigos contam versos e prosas da sua inteligência. Foi berço ou um trabalho de auto-educação do conhecimento?


Marco Valladares - A generosidade dos colegas e amigos não reflete a realidade. Como disse antes, sou apenas uma pessoa esforçada, em constante exercício mental. Uma pessoa que procura absorver o que se passa ao meu redor. Sem preconceito contra nada, pois somente assim se pode criar conceitos. Não dá para não gostar antes de ler, ouvir, ver, provar. É preciso estar aberto ao que se apresenta de novo, mas sempre com a coragem de dizer ‘não’ ao que não agrada, ainda que esteja na moda.

Também agradeço muito aos meus pais pela criação e formação que me deram. Uma infância repleta de livros, discos, cinema, teatro, viagens e, principalmente, muita conversa entre pais e filhos.

Enfim, de nada adianta berço se você não prossegue o caminho de levar avante as possibilidades oferecidas na infância. O esforço pessoal é fundamental para o crescimento como pessoa.


Maria Vitória - Outra característica sua, dizem seus amigos, é a capacidade criativa e critica para cada momento e para cada situação. Como tudo isso flui?


Marco Valladares - O fato de estar sempre com ‘o dedo no gatilho’ é uma característica inata, creio eu. No entanto, é preciso estar atento ao que se passa ao nosso redor, dar a devida atenção ao que as pessoas nos falam e, obviamente, estar atualizado com os assuntos do dia a dia para que o que se diz em cada momento ou situação seja coerente, cabível. Ou então você corre o risco de virar ‘um disco de uma faixa só’! Ai você deixa de ser interessante e passa a ser chato!


Maria Vitória - Como foi a sua passagem pela nossa Escola Pingo de Ouro?


Marco Valladares - Uma das fases mais gratificantes da minha vida, da qual sinto saudades até hoje. Trabalhar com crianças, para mim, é como semear, cultivar e colher bons frutos. A sociedade de amanhã será feita por essas crianças de hoje. E eu, o velhinho de amanhã, colherei a sociedade que ajudei a plantar e cultivar hoje.

Isso sem contar o fato de que não existe termômetro mais sincero que a reação de uma criança. Não há como ensinar a crianças sem reaprender a conviver. Quem não consegue isso, para mim, está na profissão errada. E mais um detalhe: tive o imenso prazer de ser professor do meu filho!


Maria Vitória - Sabemos que o senhor não se apega às coisas materiais. Por acaso é Espírita?


Marco Valladares - Não. Não sou espírita. Considero-me um ‘espiritualista’. Creio em Deus como uma força regente, acima da nossa compreensão. Independente do nome que cada um queira dar a esta força, a esta energia criadora. Não tenho religião formal. Respeito a crença de cada um, mas me reservo ao direito de ter uma visão crítica sobre cada uma delas. Se eu tivesse que me definir, provavelmente me classificaria como ‘um compilador dos bons ensinamentos’.

Admiro Jesus, Buda, Maomé e todos que deixaram mensagens positivas para a humanidade. Busco compreensão desde as crenças mais primitivas às religiões mais fundamentadas em doutrinas.

Quanto ao apego aos bens materiais, o que posso dizer é que de nada me serve ter algo que seria mais útil a outra pessoa. Que nenhum prazer me dá ter algo que não me tenha serventia. Não gosto de acumular. Gosto de ter o que me dá prazer e conforto. Prefiro ser lembrado pelo que fui a pelo que tive.


Maria Vitória - Como o senhor vê o momento atual da educação Brasileira? Dentro a analise critica o que diferencia o ensino publico do privado?


Marco Valladares - A educação brasileira passa por um período de transição pós-ditadura (são apenas 20 e poucos anos de democracia), onde a sociedade, concomitantemente, passa por uma revolução tecnológica que traz informações tão diversificadas que fica difícil, agora, acusar.

No entanto, um dos principais problemas da educação, ao meu ver, está fora da escola. Ele se inicia na ruptura do núcleo familiar. Existem famílias onde pais e filhos pouco se vêem, pouco conversam quando se vêm. Hoje é comum os lares terem se transformado em habitáculos privados dentro da mesma casa. Espaços restritos onde não há convivência ou troca de informações. Cada um come em um horário, tem sua própria TV, seu próprio PC e seu próprio universo. Os pais passam a desconhecer o que seus filhos fazem, do que gostam, com quem e o que conversam. Esquecem de educar. E transferem esta função para a escola, cujo papel é de dar educação formal.

Some-se isso às dificuldades inerentes ao ensino de crianças e adolescentes, e temos um aparente caos educacional. Mas creio que o equilíbrio chegará com a maturidade da sociedade em relação às novidades que se apresentaram nos últimos anos.

E, infelizmente, o que diferencia, primordialmente, o ensino público do privado é o enorme descaso dos governos, em todas as instâncias, com o ensino público. Não há investimento sério em formação de profissionais, em remuneração, em estruturação das escolas para o desenvolvimento das atividades acadêmicas e, o mais cruel dos descasos, não há nenhuma preocupação com o aprendizado. Não é preciso saber. O importante é seguir adiante e abrir novas vagas.


Maria Vitória - A sua capacidade criativa é incontestável. Porque não editou ainda livros? Preguiça? Falta de patrocínio ou o que?


Marco Valladares - Agradeço o elogio e esclareço: já publiquei sim alguns dos meus livros. Infelizmente foram tiragens pequenas, quase artesanais, e já se esgotaram. Tenho, publicados, ‘Dilúvios - Trilogia de Uma Década’, ‘Amar Vale A pena’, ‘O Histrião Arpista’, ‘Soturno’ e ‘O Forasteiro’ (este último publicado em capítulos no jornal O Trombone).

Aproveitando uma mídia nova (os blogs), disponibilizei todos eles em formato de blog, na internet. Você poderá encontrar os links para eles e para outros que estão sendo escritos ‘à vista do freguês’ neste endereço: http://marquinhovalladares.blogspot.com/

Claro que se aparecesse quem tivesse interesse em patrocinar, eu teria imenso prazer em republicá-los. Inclusive estou com um livro inédito, em parceria com a escritora Maíra Vasconcelos, pronto para ir para a gráfica, necessitando de um patrocinador.


Maria Vitória - O senhor escreve constantemente para o TROMBONE. Que papel tem esse jornal para a nossa cidade e para a nossa juventude?


Marco Valladares - O Trombone, como todo veículo de comunicação, tem, no mínimo, o dever de informar. Além disso, este jornal sempre teve como característica as denúncias e a divulgação de parte da produção cultural de nossa cidade.

Santo Amaro é um município que sempre teve os seus veículos de comunicação. Numa pesquisa feita com alunos do CETS chegamos a contar mais de cem publicações já existentes por aqui.

É imprescindível ter veículos independentes, que noticiem, critiquem e denunciem em favor da sociedade à qual servem. Neste ponto, com poucas ressalvas, que prefiro não comentar por questão ética, ele cumpre o seu papel.

Em relação à juventude santamarense, a importância está, além do já descrito, na possibilidade de ser mais uma fonte de leitura (hábito tão restrito nos dias de hoje) e de conhecimento. Afinal, aquele que pouco ouve e que pouco lê, com certeza, terá muito pouco a dizer.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

PITI


MUITO OBRIGADO!
MUITO OBRIGADO POR TER FEITO PARTE DA MINHA VIDA!
MUITO OBRIGADO POR TER SIDO MENSAGEIRA DA ALEGRIA!
MUITO OBRIGADO PELOS SOBRINHOS LINDOS!
MUITO OBRIGADO POR EXISTIR PARA SEMPRE!

BOA VIAGEM, MINHA PRIMA AMADA!
DÁ UM BEIJO EM DEUS POR MIM!


QUANTO MAIS A VIDA TENTA ME AFASTAR,
MAIS EU ME APROXIMO DE DEUS!

domingo, 9 de novembro de 2008

PRENDA


Nunca fiz gado de osso quando era piá

Nem queixada de ovelha para brincar.

Não furei nenhum cavalo com chilena

Para tirar talo por cerros e chapadões.


Tchê! Que não sou gaúcho, eu bem sei!

Mas dei de agora peleiar com o destino

E deixo o sonho me levar pelos pampas

Voando solto, como se ele fosse pingo.


Guapa com jeito de princesa, essa guria!

De fazer coisa matungona ter mais valor

Como os versos que aqui arrisco pra ela

Fingindo ser essa coisa sorra uma poesia!


E quem mais há de ficar assim solito

Se pelo menos uma vez, de relancina,

(Oigalê!) der de ver a beleza do repontar

E não retouçar com o sorrir dessa menina!


Escrita em 26/11/07 para Adriana 'Linduxa'.


sexta-feira, 7 de novembro de 2008

PQD - PÉ MARRON

Eu posso até cair das nuvens!
Mas vou pousar suavemente...

A HISTÓRIA DOS LIVROS DE AMANHÃ.*


5 de novembro de 2008. O resultado do democrático, mas complicado, sistema eleitoral americano aponta não apenas para a vitória de Barack Hussein Obama Jr., que já havia derrotado, nas prévias do partido democrata, nada mais nada menos, que a Senadora Hillary Clinton, esposa do ex-Presidente Bill Clinton. O que se apresenta, para os norte-americanos e para o mundo, neste instante, é uma mudança de postura. Uma virada na página da história mundial. Um marco para a humanidade!
Exagero? Com certeza, não!
Não estou aqui dizendo que tudo mudou, que o mundo vai acabar com a miséria e a fome. Tampouco estou a falar que as guerras acabaram e que a distribuição de renda vai ser mais justa. Ou que, finalmente, os países mais pobres serão respeitados pelos líderes mundiais. Não sou louco, nem oráculo do novo æon. O que digo é que, numa análise, rasa, inicial e baseada apenas nos fatos que nos foram permitidos conhecer, podemos estar certos de que a partir deste resultado o mundo jamais será o mesmo.
Da mesma forma que a queda do muro de Berlim (9 de Novembro de 1989) e o ataque terrorista ao World Trade Center (11 de setembro de 2001) modificaram indelevelmente os rumos de todo o planeta, apesar de aparentemente serem fatos localizados, a vitória de Obama assim fez na história atual e viva que nos cerca.
É certo que apenas os próximos quatro anos dirão se ele está ou não preparado para governar o País considerado a maior potência mundial. Mas o que quero explanar nestas linhas é o fato já concluído: a explicitação da vontade do eleitorado, feita de forma nunca antes conhecida pelas eleições americanas.
Foi um número percentual que não se via há um século, em um regime eleitoral onde o sufrágio não é obrigatório. Mais de 64% dos eleitores inscritos para votar compareceram às urnas. O mais próximo que houve disso, mais recentemente, foi quando da eleição de John Fitzgerald Kennedy (1960), onde o comparecimento foi de cerca de 63%.
Além disso, o perfil dos eleitores não pode ser limitado por idade, camada social, nível de instrução ou (e esse é o diferencial maior) por etnia. O fato do mestiço Obama (filho de pai negro, africano, e mãe branca, norte americana) ser considerado como negro na sociedade americana, normalmente afeita a preconceitos e segregações (com raras exceções nas grandes cidades cosmopolitas), em vez de afastar o eleitorado dito branco, aglutinou-o, de forma inédita, com os eleitores negros e imigrantes legalizados.
É notável o passo inicial para uma nova visão social dentro de uma nação que já se digladiou em uma sangrenta guerra civil, que suporta a existência de uma Ku Klux Klan e que ainda espera, há 45 anos, a realização do sonho do pastor Martin Luther King - “Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação. (...) Eu digo a vocês hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã, eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. (...) Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais. (...) Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!”.
Claro que ninguém, de sã consciência, acredita que, passada a euforia das comemorações e retomada a rotina do dia-a-dia, esta confraternização plurissocial vai permanecer ardendo com a mesma chama que iluminou os sorrisos daqueles que foram às ruas fazer a festa da vitória. Mas é inegável que nem mesmo o mais pessimista dos analistas sociais poderá afirmar que nada mudou. Que a semente de um futuro de menos intolerância foi fincada no ainda árido terreno das diversidades sociais que infestam a sociedade norte americana, e que pode, sim, germinar.
O papel de super-herói da fantasia de superioridade absoluta sobre o resto do mundo cairia bem melhor no seu oponente nas eleições, John Sidney McCain III, herói de guerra, ex-prisioneiro de guerra no Vietnã, condecorado com a Estrela de Prata, a Legião de Mérito, a Cruz de Aviação por Serviço Distinto, a Estrela de Bronze, e com o Coração Púrpura. No entanto, entre a fantasia e o sonho, a opção foi pelo segundo. E o soldado McCain soube, ao agradecer aos seus eleitores após o resultado, dentro da sua formação militar, dar o devido valor à vitória de Obama: “Ele deixa de ser o meu oponente e passa a ser o meu Presidente”.
No novo sonho que acaba de começar, Obama não é o salvador da pátria. A ele cabe o papel de agente aglutinador, de ícone de um desejo coletivo que passou, através do voto, livre e democrático, de um sonho distante a uma nova realidade que merece a atenção de todos.
Agora Barack Hussein Obama Jr. é o presidente eleito dos Estados Unidos da América e a partir de 20 de janeiro de 2009 a Casa Branca o receberá como inegável imagem da mudança e da esperança.
Mas a esperança não se transforma em realidade plena apenas com um homem, com uma equipe de governo, ou até mesmo com uma única nação. A mudança que o mundo anseia depende de cada um de nós. Caso você pergunte se podemos realizá-la, permito-me a apropriação da frase mais famosa da campanha do novo presidente americano: Sim, nós podemos!


* Apenas a visão de um professor de História do interior, para leitores interioranos de um jornalzinho mensal do mesmo interior.

domingo, 2 de novembro de 2008

ACONTECE!


Notei que havia um pequenino filhote de gafanhoto preso numa teia de aranha, atrás da geladeira. Resolvi tirá-lo dali e colocar para fora de casa, de volta à natureza. Mas, quando eu o segurei, ele tentou escapar e as suas perninhas soltaram. Aí eu tive que matá-lo.


É! A vida muitas vezes é assim!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

AMARÍLIS

De que lugar brota esse ciúme infundado?

Sabes: o que por ti sinto jorra em aguaça.

Nesta questão não há nem sequer busílis!


Teu lugar em meu peito está bem guardado.

Como guardarei em segredo a vossa graça,

Chamar-te-ei então, tão somente, Amarílis!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

CARMELA CARMIM

Impossível decidir onde mergulhar!


O que mais instiga, provoca, paralisa, atrai?


O carmim dos lábios ou a profundeza do olhar?

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

NÃO QUEIRAS OS DIAS QUE ME DÃO


Todo dia o dia traz um dia igual
É sempre a mesma coisa diferente
Que no final fica sempre tal e qual
Do mesmo jeito que sempre não foi.
É a realidade da rotina mutante
Fazendo-nos dormir para outro
No qual nada deixará para outro dia.

Por isso não quero te oferecer
Os meus dias de todo dia.
Dias tão iguais!

Guardo para ti meus melhores dias.
Dias de paz, sorrisos e poesias;
Dias de trocar fluidos e alegrias.
Dias de sonhar acordados;
Dias de dormir abraçados.
Dias de nós dois!

Por isso te peço que não queiras
Os dias de todo dia que me dão.
Prefiras os dias que te dou de coração!

domingo, 28 de setembro de 2008

VISÃO

O espelho me mostra o oposto


A poesia mostra a minha alma


Eu mostro o que penso ser eu


Você me mostra quem sou!

sábado, 27 de setembro de 2008

IDADES

Tenho quatro anos...

Mas estou muito velho!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

ANALYSIS

What I make n’ what I haven’t made
Make and also don’t make me what I am.
What I have of true or fake in me
Are much more occult than 2 mn8...
Therefore, don’t want to define me
As if accurate equation was I;
Or, our’s, will only remain good bye
Then this way, at the end, nothing will fade…





quinta-feira, 18 de setembro de 2008

METAMORFOSE (MÁRCIA ALMEIDA)

Nem eu, nem o espelho

Nem o fundo dos meus olhos

Me revela sobre mim agora.

E sigo assim e já não sei

Se sou guerreira, forte

Em meu tentar ser gente

Ou se frágil plantinha

Que me sinto hoje

A esperar pelo orvalho

De qualquer manhã

Ainda não chegada.


Conheça a autora em

http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=9738012589616944871


quarta-feira, 27 de agosto de 2008

CLARICE (JOSÉ CARLOS CAPINAN E CAETANO VELOSO)


Há muita gente apagada pelo tempo
Nos papéis desta lembrança que tão pouca me ficou
Igrejas brancas, luas claras nas varandas
Jardins de sonho e cirandas, foguetes claros no ar

Que mistério tem Clarice
Que mistério tem Clarice
Pra guardar-se assim tão firme, no coração

Clarice era morena como as manhãs são morenas
Era pequena no jeito de não ser quase ninguém
Andou conosco caminhos de frutas e passarinhos
Mas jamais quis se despir entre os meninos e os peixes
Entre os meninos e os peixes, entre os meninos e os peixes do rio, do rio

Que mistério tem Clarice
Que mistério tem Clarice
Pra guardar-se assim tão firme, no coração

Tinha receio do frio, medo de assombração
Um corpo que não mostrava, feito de adivinhação
Os botões sempre fechados, Clarice tinha o recato de convento e procissão
Eu pergunto o mistério
Que mistério tem Clarice
Pra guardar-se assim tão firme, no coração

Soldado fez continência, o coronel reverência
O padre fez penitência, três novena e uma trezena
Mas Clarice era a inocência, nunca mostrou-se a ninguém
Fez-se modelo das lendas, fez-se modelo das lendas
Das lendas que nos contavam as avós

Que mistério tem Clarice
Que mistério tem Clarice
Pra guardar-se assim tão firme, no coração

Tem que um dia amanhecia
E Clarice assistiu minha partida
Chorando pediu lembrança
E vendo o barco se afastar de Amaralina
Desesperadamente linda,
Soluçando e lentamente
E lentamente despiu o corpo moreno
E entre todos os presentes
Até que seu amor sumisse
Permaneceu no adeus, chorando e nua
Para que a tivesse toda
Todo o tempo que existisse

Que mistério tem Clarice
Que mistério tem Clarice
Pra guardar-se assim tão firme, no coração

terça-feira, 15 de julho de 2008

OUTRA FLOR DO CAMPO, DÁ MALEMOLÊNCIA

Fez-se FLOR do que ficou.
Fui andando só...
Foi-se a sombra do que fui...
Foi-se a luz do Sol...
Viria a noite e levaria a existência...
E NUNCA mais nos veriam.


Dissolveríamos entre as flores;
Deitaríamos sobre os sonhos!

Lá de dentro, chorando pra dentro,
Me protegeria da chuva ácida qu'eu derramo...
Deitaria sobre mim;
Correria ao encontro do caminho!

Feridos, talvez, mas bonitos.

Mas para os campos floridos;

Não para os instantes preditos.

ELA me levaria...

_A _r _r _a _s _t _a _d _o !

Queria eu ser minha Sombra...

Deitar sobre o CONCRETO.


Tirar a profundidade da angústia que me abstrai,

Trair a confiança dos que me têm real,

Deixar minha consciência com duas dimensões,

Erguer o inconsciente tridimensional...

Palpável . . .

...

Permeável . . .

...

Profundo . . .

...

Surreal . . .

...

O espelho concreto desta abstração: http://espelhoabstrato.blogspot.com/2007/05/malemolncia.html

terça-feira, 1 de julho de 2008

O PASSADO SEM DISFARCES

Olho pro céu! Meu avô!
Vejo como ele está lindo!
Sorrindo do meu choro alegre.
Do meu sentimento entregue
De ver a vida brotando!
De ver a felicidade palpável
Nos olhos da minha mãe,
Da nova mãe, minha irmã!
Foi nesta noite sem igual
Que eu entreguei o meu coração
De presente ao passado,
Em casamento com o futuro!

Na roça, na Rocinha,
Uma Paloma da paz
Voava ao redor dos sonhos
Que eram de todos
Sem que pertencessem a ninguém!
E era tanta gente
Que os sonhos cresciam
Nos olhos, nos copos,
Nas damas de copas,
Nos risos de ouro!
Nas asas do anjo
Com penas de pomba!

O céu estava todinho em festa!
A Terra estava todinha em festa!
Era uma noite de São João
Na Rua Direita, na Rua do Amparo,
Nas ruas que amparam sonhos
Em forma de música,
Em forma de foto,
Em forma de sonhos.
Era noite de Nossa Senhora,
De uma nova senhora,
De um novo trio de nordestinos!
Noite de sonhos e destinos!

Acordei hoje dessa viagem linda!
Dessa viagem de tanta felicidade,
Com gosto gostoso do licor
E de comidas tantas...
Comidas do corpo...
Alimentos da alma...
Sonhos da minha infância de ontem,
Sonhos da minha infância de hoje,
Sonhos da minha infância de sempre...
Hoje acordei dessa viagem linda...
Dessa viagem de tanta felicidade
Que acordei sem deixar de sonhar!


(Para Edu O., como agradecimento pelo seu texto!)

domingo, 22 de junho de 2008

ANJO TATUADO

Sua figura causava, inevitavelmente, a mesma reação nas pessoas. Os olhares se fixavam nos seus trajes, sempre escuros e sombrios, no seu andar meio de banda, como se estivesse sendo vigiado ou vigiando alguém. Era, por natureza, um notívago e sair à luz do dia não lhe fazia bem para os olhos com fotofobia e nem para o humor. Também não combinava com as suas vestes. Assim sendo, é normal que esta história se passe entre o por e o nascer do Sol.
O relógio passava pouco da hora da Ave-Maria quando ele acabou de almoçar, vestiu uma calça e uma T-short pretas, calçou suas botas de couro cru e colocou o seu blusão marrom, já um tanto desgastado no colarinho e nos cotovelos, e partiu para mais uma noite solitária.
Caminhava lentamente pela pequena cidade, mais uma vez como se fosse um imã de olhares. Aquilo não o incomodava (pelo menos, não mais), mas acabava por deixá-lo sem saber para onde olhar, uma vez que era a timidez personificada. Assim, para se distrair, ia tateando plantas, grades, muros - tudo que atravessasse o seu caminho. Talvez o termo correto não fosse tatear, já que tocava as coisas como se acariciasse o rosto de bebê com uma pétala de rosa.
Foi aquilo que chamou a atenção dela. Acostumada com a convivência de rapazes extrovertidos, mais jovens e atléticos, estranhou aquela figura esquálida a circular sozinha e silenciosa pelas ruas centenárias, a bebericar vodka na única e exclusiva companhia dos seus pensamentos. Há muito ela não conseguia olhá-lo sem sentir um arrepio que lhe eriçava a nuca.
Agora estava ali, a menos de um passo daquela presença enigmática. E não sabia como agir, o que dizer, para onde olhar. Sentia-se adolescida, mais que quando tinha espinhas no rosto e seu coração estava certo da paixão que o tomava. No entanto, aquela presença estava muito prematuramente ao seu lado; não estava preparada.
Ao aproximar-se do balcão para pedir cigarros, deu de frente com ele, que se virava, vindo do caixa do bar. O encontro dos olhares durou poucos segundos, porém teve a profundidade de uma fossa oceânica. Não conseguia falar; nem se mexer. Pela primeira vez o viu sorrir. Um sorriso quase infantil. Sorriu, tocou o seu rosto com aquele jeito de quase não tocar, acendeu um cigarro e saiu.
Aquele toque marcou o seu rosto, seus pensamentos, seu coração e sua alma. Era uma tatuagem invisível que jamais haveria como ser retirada. Agora ela tinha certeza que precisava conhecer aquele estranho que deixou o seu toque por todos os cantos dos seus caminhos. Ele havia conquistado a noite, a cidade e ela.
Deitado, sozinho, na sua cama, ele chorava suavemente, com um medo contido. Depois de tanta fuga, tanta saudade, tanta vodka, tantas noites, o maldito destino havia, novamente, cruzado o seu caminho com o de um anjo. O único problema é que, por serem alados, os anjos voam e se vão. Fechou os olhos, dormiu e sonhou que era feliz.


(Do livro ‘SOTURNO’)

HOMENAGEM PÓSTUMA AO TEU REINO INFAME


Fostes puta,
Prostituta perdida
Que fez-me achar
A vida
Uma podridão fétida,
E a mim o câncer
No peito da criança
De pai fumante.
Sangra de mim a porra acre
Que fecunda
Humanos de merda
Como tu, como eu.
Oh puta
Crescida na amplidão
Da libidinagem
Dos antros dos ratos,
Fizestes de mim o teu reino,
E fostes soberana
Sobre o trono de pus,
Amarelo como teu corpo
Sifilítico e lindo
Como os edemas que crio
A cada queda de pós-embriaguez,
Onde vomito a cachaça
E as poesias que inspiras!


(De ‘O HISTRIÃO ARPISTA')

sexta-feira, 20 de junho de 2008

VENDO NADA

A tarde está fria,
Anuncia uma noite
Gelada, solitária,
Imensa.
A mais longa das noites
Está para chegar,
Trazendo lembranças,
Dores e alegrias
Vividas a dois,
A milhões de carícias
Que se perderam
No caminho.
A noite não sabe
Onde guardou a
Lua cheia e o seu
Colar de estrelas.
A noite não sabe
Onde se esconde
O calor do sorriso
Que estou cego
De não ver.

(Do livro ‘O Histrião Arpista’)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

DESTINO

Sou eu, lá, avante...
Velho, chato
E sozinho...

Sem burro...
Sem infante...
Seguindo...

Sou eu, lá, avante;
Dobrando, solitário,
A derradeira curva do caminho.

Burro...
Infame...

Seguindo...

segunda-feira, 9 de junho de 2008

PROPOSTA


“É comum a gente sonhar, eu sei
Quando chega o entardecer...”
E foi você mesmo quem me ensinou
Que basta ter um tostão
E comprar uma panela...

Pois muito bem!
Tenho eu, ao menos teoricamente,
Muito mais tempo
Para ganhar outro tostão.

Então não discuta...
Pois contigo também aprendi
A dizer “sei que não vou por aí”,
Que de nada vale o “Ouro de Tolo”
E que “por força desse destino
Um tango argentino me vai
Bem melhor que um blues...”

Deste modo, tornei-me mais resistente,
Persistente, insistente e renitente
Que "a flauta do Seu Lobato”...

Assim, aceita, pois, a oferta
E, caso o meu tostão lhe sirva,
Compra a tua panela
E mete-te dentro dela...

Depois, sem pressa,

“Desenha-me um carneiro”!

terça-feira, 3 de junho de 2008

SOU

Nunca conseguirei ser
Tudo que acham que sou.
Nunca conseguirão saber
Tudo que consigo ser.
Entre o eu deles e o meu,
Acho que consigo sobreviver.
Com certeza, eu, do eu,
Acho que nunca saberei.
Mas sou!



SUSSURROS

Jamais creia n’aquilo
Que a solidão, sorrateira,
Sopra-lhe aos ouvidos.
Prefira acreditar no que,
Quase sem querer,
Sussurras à solidão!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

EIS A MINHA ORAÇÃO!

No amor que sinto, me fortaleço para crer
E, por ti, peço o que nem sei se por mim pediria.
Por que tu és minha querida e sempre serás,
Independente dos caminhos que a vida
Para nós determinou.

Ainda, e sempre, terei este amor em mim
E, por ti, suplico o que nem sei como devo rogar.
Por que tu és minha querida e sempre serás,
Pouco importa os descaminhos que a vida
Para mim ocasionou.

E pela força eterna do amor, eu faço prece,
Rezo, oro, suplico, rogo, imploro aos céus
Que só o melhor seja o seu destino.
Não o melhor que imagino no meu tino,
Juízo tão pequeno; Mas o melhor de Deus!

E por amar-te como sempre amei;
E por amar-te como sempre amarei;
Eis a minha oração!

LEVANTEI E APLAUDI (EDU O.)


Sem gostar de orar hoje me pus a agradecer a Deus pelo presente dado. Vivi uma experiência que não se descreve, não se adjetiva por ser pura emoção, pura arte (e eu ainda acredito na arte). Ver artistas trabalhando em função da arte... mais especificamente Mônica Salmaso e o grupo Pau Brasil hoje (13/05) à noite no TCA. Nada era fora do lugar: a voz, os arranjos, os acordes, as canções (todas de Chico Buarque), enfim... tudo era uma homenagem à música, era para enaltecê-la. A cantora não era mais importante do que os demais ingredientes daquela deliciosa mistura. Não havia uma soberania a não ser a da própria música. O que é raro num mundo em que a imagem é mais importante e que a obra de arte está a mercê do comércio, do fácil, de letras com uma única frase, com coreografias vulgares, etc.
Hoje, graças a Deus, passei por uma daquelas experiências transformadoras, tipo a que sempre falo do passeio pelas montanhas da Ilha da Madeira. Não há o que dizer.
É pleno sentimento e arte materializada e repartida entre as 1500 pessoas que lotavam o teatro. Surpreendentemente, para minha alegria, o teatro estava lotado. Falo surpreendente, pois Mônica não canta na novela das 8, não come pizza dia de domingo com o grandão, não toca nas rádios, enfim... a grande mídia não está ao lado dela. O que é uma pena, porque é um show delicioso de se experimentar, sentir, ouvir. É uma pena porque não quero que as outras coisas não existam, mas quero também poder ligar a TV e me deparar com um trabalho dessa qualidade (salvo a TVE, faça-se justiça), quero poder optar por ouvir o fácil também, mas se ele não sai do meu rádio ou da telinha, não é opção.

Hoje presenciei a música em seu estado concreto, pleno, total.

Hoje, eu que não posso levantar, bati palmas em pé.

Vida longa a Mônica Salmaso! Vida longa ao Pau Brasil!

Conheça o autor: http://monologosnamadrugada.blogspot.com/

quinta-feira, 8 de maio de 2008

MOLEQUE DE RECADO (RAIMUNDO SODRÉ / MARCELO MACHADO)

Quem quiser gostar de mim
Vai ter que me aturar
Sem mais nem menos assim como eu sou
Tintim por tintim
Me mudar pra agradar senhor ninguém
É que eu não vou
Eu sou assim, assim sou feito
Assim serei até o fim
Quem não gostar que dê seu jeito
Eis aqui a minha lei
Eis aqui a minha bandeira
Antes de mais nada, acima de tudo
A verdade verdadeira
Que eu não sei chupar limão
Sem fazer careta
Que eu não sei dizer que é branca
Essa coisa que eu vejo preta
Eu não sou de abrir mão
Quando eu canto, não minto
Eu só canto o que sinto
Sou moleque de recado do meu coração...