quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

DO PRIMEIRO INSTANTE DE VIDA AO ÚLTIMO SUSPIRO!


Sejam Felizes!

CÂNTICO NEGRO (JOSÉ RÉGIO)

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

ENGAVETANDO


Organize suas dores em uma gaveta!
Separe-as por cor ou tamanho,
Pra ficar mais fácil de achar no escuro.
Use gaveta sem chave ou trinco.
Não sei se você sabe:
Não devemos trancar nenhum tipo de dor!
Depois que tudo estiver bem arrumado,
Escolha sua dor predileta e vista.
Saia com ela sem nenhum pudor.
Ande pelas ruas; vague à toa por aí...
Quando der vontade, pare e chore um pouco.
Prove o gosto de suas lágrimas;
Lembre-se do mar, da maresia.
Então, invente uma Lua cheia
Boiando no firmamento,
Pedindo-lhe uma bela serenata.
Cante aquela canção tão sua
Que você jurou nunca mais,
Jamais, de novo cantar.
Aí, sorria um sorriso sem motivo.
Sorria outro e sorria mais um.
Lá na hora que lhe der vontade,
Volte pra casa e guarde sua dor.
Mas coloque-a em outra gaveta!
Ela já não combina com as outras...
Desbotou!

AMOR (GIBRAN KALIL GIBRAN)



Amai-vos um ao outro,
Mas não façais do amor um grilhão;
Que haja antes um mar ondulante
Entre as praias de vossas almas;
Enchei a taça um do outro,
Mas não bebais da mesma taça;
Daí de vosso pão um ao outro,
Mas não comais do mesmo pedaço;
Cantai e dançai juntos e sejais alegres,
Mas deixai cada um de vós estar sozinho;
Assim como as cordas da lira são separadas
E, no entanto, vibram na mesma harmonia;
Dai vossos corações,
Mas não os confieis à guarda um do outro,
Pois somente a mão da vida pode conter
Vossos corações;
E vivei juntos, mas não vos aconchegueis em demasia,
Pois as colunas dos templos erguem-se separadamente
E o carvalho e o cipreste não crescem
À sombra um do outro!

VLADIMIR MAIAKOVSKI


"Amar não é aceitar tudo.
Aliás: onde tudo é aceito,
desconfio que haja
falta de amor".

domingo, 16 de dezembro de 2007

TOMARA QUE TENHA CURA!

MULHER CHORANDO - PABLO PICASSO (1937)
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“Alergia: Designação de estado de hipersensibilidade causado por exposição a determinado antígeno (substância a que, em circunstâncias favoráveis, um indivíduo é exposto, e que pode produzir uma resposta imunológica específica, com a formação de anticorpos específicos ou de linfócitos T (q. v.) especificamente sensibilizados, ou ambos.), dito alergênio (agente capaz de produzir alergia; alergênico, alérgeno.), sendo observadas reações imunológicas nocivas se houver subseqüentes exposições a este mesmo alergênio”.
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Parece incrível, mas tem gente que tem alergia ao Amor. E as reações são imprevisíveis!

sábado, 15 de dezembro de 2007

DISCURSOS DE POSSE NA ACADEMIA DE LETRAS DE SANTO AMARO - ALSA - EM 14/12/2007


BREVE DISCORRER SOBRE O PADRE JOSÉ GOMES DE LOUREIRO - PATRONO DA CADEIRA DE NÚMERO 30 DA ACADEMIA DE LETRAS DE SANTO AMARO/BA
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Nas palavras de um dos seus pares mais ilustres, Monsenhor Gaspar Sadoc da Natividade, o Padre José Gomes de loureiro era “um espírito muito jovem e alegre, mas muito rigoroso no cumprimento do dever. Dono de uma memória prodigiosa, capaz de assimilar tudo o que escrevia, sabendo os seus discursos de cor”.
Este dom, somado à sua capacidade de oratória, com seu estilo característico, o fez “um dos maiores e mais apreciados pregadores do seu tempo, sendo o Cardeal Don Augusto Álvaro da Silva um grande apreciador dos seus sermões” (MGSN).
Entretanto, o que para os seus contemporâneos foi motivo de júbilo, para os destas gerações contemporâneas tornou-se uma perda irreparável. Jamais chegarão às nossas mãos e vistas as comprovações do que o seu sobrinho, o iminente cientista Dr. José Silveira afirma: “Ninguém terá escrito mais delicadas homilias, mais substanciosos sermões, mais empolgantes discursos”.
Guardados com precisão na sua memória, os escritos do Padre José Gomes de Loureiro, no entanto, perderam-se através dos anos. E, como à sua época, impossível era, por não existir tal tecnologia, gravar-se missas e discursos, resta-nos invejar os que com ele conviveram, e aceitar, por serem irrefutáveis e ilibadas, as palavras do Monsenhor Gaspar Sadoc da Natividade e do Dr. José Silveira.
Em respeito à forma única do sobrinho José Silveira (haja vista a proximidade afetiva e de convivência) com que do seu tio Padre José Gomes de Loureiro, sintetiza a biografia. Breve discorrer sobre este que, mui apropriadamente é um dos Patronos da Academia de Letras de Santo Amaro, não ouso mais fazer que tão única e humildemente aconselhar a todos a leitura do livro “Vela Acesa” e transcrever o único texto por mim encontrado na biblioteca deste Município, que leva o nome do Patrono da Cadeira que, orgulhosa e honrosamente ocupo nesta Academia:
“A 10 de Julho de 1889, em Santo Amaro da Purificação, nascia o filho do casal Manoel Gomes Loureiro e Elíbia Macedo Loureiro, nascia Padre José Gomes Loureiro, que tanto amou e foi amado em sua terra. Formou seu espírito, sob as vistas do Padre João Octavio, um dos mais notáveis educadores do seu tempo. Do seu famoso colégio saíram jovens de grande talento, tendo muitos alcançado renome e posições nacionais. Seu curso eclesiástico, no Seminário Santa Tereza, foi dos mais brilhantes. Alegre, comunicativo, educado e fidalgo, fez amigos leais que o acompanharam até seus últimos dias de vida. Sua formatura, sua missa nova, foi celebrada a 2 de fevereiro de 1912, com grande pompa, na Igreja Matriz da Purificação, contando com a presença do Arcebispo Primaz do Brasil, D. Jerônimo Thomé da Silva, de quem foi servo obediente e grande admirador. Em Feira de Santana, no Asilo Nossa Senhora de Lourdes, como Capelão, iniciou seu apostolado. Tão inteligente tão capaz e comunicativo, se mostrou com a juventude que, em pouco tempo, para atendê-la, criava um colégio próprio, freqüentado pelos filhos das melhores famílias. Sua vontade, no entanto, era ser vigário na terra do seu berço. Chegou o dia glorioso em que seu sonho foi alcançado. Daí por diante, de corpo e alma, dedicou-se à sua freguesia, ao seu rebanho à sociedade, enfim, que não se cansava de aplaudi-lo. Simples, natural, espontâneo e autentico com facilidade, passou a conquistar a estima e o apreço de toda gente, da maior autoridade aos mais pobres e humildes. Logo deixou de ser Padre Loureiro para se tornar Padre Zezinho.
Isso não impediu que, com seriedade e carinho desenvolvesse todas as suas extraordinárias qualidades: como administrador fazendo ressurgir das cinzas a velha Matriz, quase em ruína, transformando-a na Catedral, que todos admiramos e dela nos orgulhamos. Professor nos colégios e ginásios, ensinou, com rara eficiência, latim e português, sobretudo, nosso vernáculo, que tão maravilhosamente dominava. Sua força maior, sua mais evidente demonstração de talento e cultura, residia, entretanto na oratória. Sua voz débil, sua postura serena e comedida, não impediam que sua eloqüência fosse reconhecida e proclamada. Ninguém terá escrito mais delicadas homilias, mais substanciosos sermões, mais empolgantes discursos. Rara a festa religiosa daquela época, na Cidade, na Capital ou no interior, se fazia, que não fosse, insistentemente, requisitada a palavra de Loureiro. Apesar de todas essas qualidades, por isso mesmo, as altas esferas, jamais lhe fizeram justiça. O titulo de cônego, tão fortemente distribuído, nunca lhe chegou às mãos. Vítima de incompreensões, calúnias e insídias, ao contrario veio a sofrer censura e castigos. Sem o menor motivo, contra a vontade da população, arrancaram-no da freguesia, que tanto amava. Levaram-no, a princípio, para Salvador, para dioceses pobres e incapazes de sustentar o seu vigário. Atiraram-no, posteriormente, pelo sertão a dentro não raro em regiões inóspitas, quando não dominadas pelo famigerado Lampião. Acompanhado sempre pelas duas Santas irmãs, sem revolta, sem protesto, humilde e submisso, pobremente palmilhou os passos dolorosos sua via crucis. Até que seus leais amigos políticos, não podendo suportar tanta injustiça conseguiram trazê-lo para o lugar devido. Desnecessário dizer que sua volta foi um dia de festa para todos. Extraordinária, porém, foi sua consagração pelas Bodas de ouro do seu sacerdócio, a 2 de fevereiro de 1962, quando a cidade em peso, dos mais grandiosos aos mais modestos cumularam-no com um mundo indescritível de homenagens.
Confortado, feliz com tanta provas de carinho, compreensão e afeto, infelizmente, já não era o mesmo. Desaparecera-lhe o sorriso bom e contagiante, a verve no contar casos, de vezes patuscos, mas, no fundo ingênuos. Ferido, nos mais puros dos seus sentimentos, não sanadas as mágoas e as amarguras da insídia, da inveja e da calúnia, cumpria, apenas, os atos religiosos, com a disciplina e veneração de sempre. Não era mais o famoso orador do ‘2 de Fevereiro’, o guia consagrado das Semanas Santas, o sacerdote querido e adorado por todas as crianças. Apagados, foram pouco a pouco, sua alegria de viver e o fulgor das suas palavras. Anulavam-se, assim, as qualidades todas do seu espírito de exceção.
Veio a falecer, em meus braços, a 20 de Janeiro de 1965. A última homenagem que lhe prestei, Santo Amaro cobriu-se de luto, com lágrimas nos olhos e profundo pesar de todos os que contrita e comovidamente acompanharam o seu sepultamento. Jamais, no entanto, seus irmãos santamarenses se esquecerão do pároco de maneiras simples e bondosas, do homem desprendido de luxo e vaidade, igual a todos que o procuravam. Terá morrido na lembrança da cidade, o Padre Loureiro, probo, digno e respeitável; viva, porém, ficou, na consciência e na alma dos que o conheceram e com ele privaram, a imagem singular do Padre Zezinho, querido, admirado e idolatrado. Tanto assim que há poucos dias, os amigos fiéis, transportaram, em cortejo reverente, seus restos mortais para o chão bendito da sua adorada Matriz, lugar de onde jamais poderia ter saído”.
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DISCURSO DE POSSE NA ACADEMIA DE LETRAS DE SANTO AMARO
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Nesta noite solene, da qual ainda não me fiz compreender o merecimento, visto que não me julgo com os mesmos olhos benevolentes dos meus pares, cabe-me, inicialmente, agradecer a eles a honra de fazer parte desta casa. Gratidão que extensiva a todos que comigo percorreram a estrada que vislumbro ao olhar a minha caminhada até o presente instante.
A indefectível fé em Deus faz-me elevar estes agradecimentos a um plano superior, trazendo-os de volta a esta dimensão em certeza de ser sempre apequenado qualquer agradecimento feito à minha mãe, aqui presente, minha primeira alfabetizadora, uma vida dedicada à educação dos filhos e dos alunos, sempre regendo pela pauta do amor; bem como ao meu pai, ausente fisicamente, por circunstâncias, mas sempre presente pelo exemplo de homem que em mim, de forma indelével, inseriu. Ele, uma pessoa sempre ávida pela leitura. A eles devo a minha paixão pelas Letras! Herança bendita!
E partindo da origem para o originado, agradeço aos meus filhos, fontes de alegria e rejuvenescimento, certeza de continuidade perpetuada! As mais belas obras da minha existência! A possibilidade de tornar real a abstração que chamamos Amor!
E não poderia eu deixar de prestar a minha homenagem àquela pessoa que, pela primeira vez, me fez sentir que aquilo que eu escrevia poderia tocar o coração e a alma das pessoas. Aquela que pela primeira vez me chamou de “meu poeta”. Minha prima, para sempre amada, Hercília Maria Aguiar Valladares. A minha Ciloca!
E discorreria eu aqui infinitos agradecimentos, no entanto prefiro utilizar a figura de uma única pessoa, a professora Magali Maia de Jesus, hoje Magali de Jesus Mendes, que me acompanhou da então 5ª Série do 1º Grau até o 3º Ano do 2º Grau, do Colégio 2 de Julho ao Colégio São Paulo, para agradecer a todos aqueles que, de uma forma ou de outra me fizeram abraçar o entusiasmo pelas Letras.
Agradecimentos feitos, aproveito-me da boa vontade dos presentes para, diante de todos, colocar-me à disposição desta Casa, que ora me acolhe, para, dentro daquilo que sei fazer, oferecer a minha dedicada participação no intuito de, cada vez mais, transformar em ação os objetivos para a qual foi criada, preservando a memória e difundindo as Letras, mas também sem esquecer da necessidade de estar sempre com a visão voltada para as mudanças que ocorrem na nossa sociedade, abrindo, assim, as perspectivas para um belo porvir.
Sem que haja mais nada que possa, neste instante, superar, em palavras, a emoção que sinto, calar-me-ei, seguindo o conselho do grande poeta da nossa Língua:
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NÃO, NÃO DIGAS NADA

Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já
É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.

És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.

(Fernando Pessoa, 05/06-02-1931)


Marco Aurélio Valladares Souza
Santo Amaro, 14 de dezembro de 2007
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

DEVANEIOS SÃO APENAS ISTO: DEVANEIOS!

DEVANEIOS SÃO APENAS ISTO: DEVANEIOS!

A LUA E A CIDADE


A lua boiava no infinito estrelado e, abaixo dele, a cidade dormia tranqüila. Dali, da janela do sétimo andar, ele podia vislumbrar, até mesmo, o mar, embora distasse uns seis quilômetros.
Mentalmente, cantarolava um trecho da música de Rita Lee: “As luzes da cidade, não chegam às estrelas, sem antes me buscar...”. Amava música, mas havia tempo que não se animava a por um CD para tocar. Quando descobriu que Zélia Duncan havia regravado aquela canção, não hesitou em comprar o álbum. Gostou da gravação, embora ainda preferisse a original, que guardava, zelosamente, em um compacto duplo.
“Num apartamento, perdido na cidade, alguém está tentando acreditar que as coisas vão melhorar...”. Aquela frase caia-lhe como uma luva. Ele, realmente, se esforçava para tentar acreditar numa melhora. No entanto, a desesperança teimava por rondar-lhe a vida, a alma. “E, na medida do impossível, tá dando pra se viver...”.
Desde cedo a canção não lhe saia da cabeça e, cada vez mais, lhe tomava as entranhas físicas e emocionais. “O amor é imprevisível como você... E eu... E o céu...”. Apesar de gostar tanto dela, aquela presença ininterrupta já o estava irritando.
A lua boiava no infinito estrelado e, abaixo dele, a cidade dormia tranqüila. Dali, da janela do sétimo andar, ele podia vislumbrar, até mesmo, o amor, embora distasse uns seis meses. Mentalmente, continuava a ouvir Rita e Zélia cantando sem parar: “Conquistando o céu, desprezando o chão...”. Havia algo para ser conquistado, porém, fugia-lhe o que poderia ser. Conquistar o quê?
E por que aquela música não lhe abandonava? Que mensagem havia naquela letra da titia Lee? O que ele não decodificava? Olhando a lua a boiar e a cidade a dormir, passava mais uma noite insone.
No meio da madrugada, após repassar, por dezenas de vezes aquela letra de música, conseguiu, finalmente, entender o que ela lhe queria falar. Agora a mensagem estava clara! Agora ele sabia o que ainda podia ser conquistado.
Não era ela, a letra da música, a quem ele deveria se apegar. O que trazia a conquista final, a conquista da liberdade e da paz, era o título!
Olhou a lua e a cidade, apagou o cigarro no cinzeiro e sorriu pela derradeira vez. Boiou no espaço, como a lua e dormiu em paz na cidade tranqüila. “Da janela do sétimo andar...”.
Ah, sim: a música se chama “Lá vou eu”.

Para Aroldo Daniel dos Santos, com saudade!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

DELÍRIO (OLAVO BILAC)


Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem,
quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! - num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem!
- disse ela, louca.
Moralistas, perdoai! Obedeci...

domingo, 9 de dezembro de 2007

ORGULHO E GRATIDÃO II

Defendo o CETS por que amo o que esta Escola faz!
"Eu acredito é na rapaziada!..."

( http://www.cetsampaio.com.br )

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

2004 - O ANO DA PHŒNIX - NOVO PONTO DE PARTIDA!

DIVAGAR DEVAGAR

- A solidão sempre foi uma boa amiga. Visita-me muitas vezes, mas sabe respeitar quando quero estar só. (03-04/12/2004)
- Amar dói bastante. Não amar dói mais ainda. Então, amemos! (03-04/12/2004)
- O hoje nem sempre será o ontem do amanhã. Então, viva o hoje. Viva! (03-04/12/2004)
- Será que eu vou gostar de mim no dia em que conseguir me conhecer? (03-04/12/2004)
- Nem sempre as coisas são o que parecem ser. Nem sempre que parecem ser, as coisas o são. Nem sempre são, o que as coisas parecem ser? (03-04/12/2004)
- Alguns duvidam da existência de Deus. Outros, negam. Acho ótimo levantarem estas questões, pois o que não é debatido é esquecido. (03-04/12/2004)
- A minha questão com as religiões formais é o fato de todas falarem do mesmo Deus e não serem uma só. (03-04/12/2004)
- Prefiro tomar ré médio a sentir dó de mi. (03-04/12/2004)
- Eu sou tudo que, um dia, todos saberão que nunca fui. (03-04/12/2004)
- O que realmente importa: O destino, o caminho ou o caminhar? (03-04/12/2004)
- Existe coisa mais estanha do que a morte: a vida. (03-04/12/2004)
- Vida após a morte é algo incerto. Morte, após a vida, é “batata”. (03-04/12/2004)
- Não levem tudo que eu escrevo a sério. Apenas o que vocês não entenderem. (03-04/12/2004)
- Dizem que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Quando me fez, ou estava num tremendo mau humor ou num bom humor terrível! (03-04/12/2004)
- Sou doador. Só não sei se vão poder aproveitar grande coisa! (03-04/12/2004)
- No meu epitáfio escrevam apenas: Sejam felizes! (03-04/12/2004)
- Brinco com as coisas sérias porque me faz bem. O chato é que, muitas vezes, acabo levando as brincadeiras a sério. Aí, danou-se! (03-04/12/2004)
- Se na próxima encarnação eu vier pulga, vou me divertir pra cachorro! (03-04/12/2004)
- O pecado e o Estado são as mais incríveis criações do homem. Duas coisas que ele criou para sentir o gostinho da transgressão! (03-04/12/2004)
- Se você não souber rezar, cante. Se souber, cante também! Música é a voz de Deus. (03-04/12/2004)
- Toda verdade tem sua dose de mentira. E vice-versa. (03/04 - 12 - 2004)
- Às vezes, muitas vezes, me sinto sozinho, tão sozinho, que dá vontade de pedir aos céus para permanecer acordado. Mas de que vai adiantar não dormir e sonhar se, estando acordado, vou estar, ainda, sozinho? (03-04/12/2004)
- Às vezes, muitas vezes, me sinto sozinho. O jeito é acostumar! (03-04/12/2004)
- Noite, oh noite; tu que fostes por toda a vida o meu afago, porque, tão de repente transformaste-se em meu açoite? (03-04/12/2004)
- Eu só queria ser feliz. Agora, me bastava um pouco de paz. Tentei morrer e não morri. Deve haver uma razão para ter permanecido vivo; não deve ser só para sofrer deste jeito. Preciso de uma luz, por menor que seja, que me clareie os pensamentos, que afaste esta sombra que, por vezes, me faz olhar o fim como solução. Sei que tenho muitas razões para dar continuidade à benção de estar vivo, mas, às vezes fraquejo. Travo, hoje, uma luta ferrenha com a dama da foice. Por hoje, acredito ter vencido. Mas, e amanhã? Não é falta de fé em Deus, não é falta de amor aos que me querem bem. É um impulso insano, violento, irracional. Não são todos os dias assim. Mas dias como o de hoje são, para mim, uma batalha que me exaure, me fragiliza demais. Mas, com o amor dos meus e a graça de Deus, eu hei de vencer. Mas ainda choro demais... (06-07/12/2004)
- Se arrependimento matasse o erro, o perdão ficaria desempregado? (06-07/12/2004)
- O brasileiro nunca vai encontrar a sua identidade enquanto procurá-la na carteira. (07-08/12/2004)
- Será possível comprar a linha do horizonte num ar marinho? (07-08/12/2004)
- Era filatelista, mas detestava sê-lo. (07-08/12/2004)
- Corro riscos sublinhando as palavras. (07-08/12/2004)
- Passamos uma vida inteira estudando para descobrir que não sabemos nada. (07-08/12/2004)
- O trabalho enobrece o homem. O que o empobrece é o salário. (07-08/12/2004)
- Pode até parecer viadagem, mas entre tantas noites com a insônia, eu preferia umas poucas nos braços de Morfeu. (08-09/12/2004)
- Já estou sem paciência comigo! Eu apareço em todos os lugares para onde vou. Que saco! (08-09/12/2004)
- Cada um tem uma cruz para carregar. Até aí, tudo bem. Mas será que dava, pelo menos, para alguém me dizer para onde é que eu levo a minha? (08-09/12/2004)
- Tem momentos em que eu gostaria de ter alguém para ficar conversando fiado, falando “abobrinhas” por horas a fio. O problema é que, nestes momentos, todo mundo que eu conheço já está dormindo. Acho que nasci no fuso horário invertido! (08-09/12/2004)
- Tenho passado tanto tempo solitário que corre o risco d’eu achar que o espelho é uma multidão! (08-09/12/2004)
- Do jeito que as coisas vão, o meu anjo da guarda vai ter uma estafa a qualquer momento! (08-09/12/2004
- (. . . - - - . . .) Quem entender, seja breve. (08-09/12/2004)
- Toda vez que eu tento falar ou escrever sobre o que estou pensando, acabo escrevendo ou falando o que eu entendi do pensamento; nunca o pensado. (29-30/12/2004)
- As crianças são maravilhosas! Mas seria mais fácil criá-las se viessem com manual e botão de desligar. (29-30/12/2004)
- A pior coisa que um homem pode fazer ao relacionar-se com uma mulher é tentar entendê-la. E a melhor coisa que ele pode fazer é não tentar se explicar. (29-30/12/2004)
- Acredito em tudo! No entanto, isto não me impede de duvidar das minhas crenças. (29-30/12/2004)
- A pior coisa que pode acontecer a um artista é produzir sua obra prima. O futuro fica completamente banal. (29-30/12/2004)
- Não sou artista. Apenas dou formas aos meus devaneios; seja escrevendo ou desenhando. Eles sim, são artistas admiráveis. (29-30/12/2004)
- A arte não está no que o artista produz. Ela reside nos sentidos de quem a observa. Sem o observador não há arte nem artista. (29-30/12/2004)
- Bata na porta antes de entrar; não bata a porta ao sair. Enquanto estiver aqui, esqueça a porta. (29-30/12/2004)
- De médico e de louco, cada um tem um. Pouco! (29-30/12/2004)
- Nunca entendi muros de cemitério e muito menos os portões. Se quem está dentro não pode sair e quem está fora não quer entrar, pra quê muros e portões? (29-30/12/2004)
- Não leve a vida a sério. Com certeza ela também não lhe leva! (29-30/12/2004)
- Cuidado, companheiro! Cuidado com a paixão! Mais cruel que o amor, ela lhe invade com a sutileza de uma pena suspensa no ar para depois lhe esmagar com a fúria de um estouro numa manada de elefantes. O que sobra, jamais será você de novo! (03-04/01/2004)
- Toda pessoa é uma ilha. Umas têm pontes, outras não. As que têm, falam. As que não têm, pensam, pensam e alargam, cada vez mais, o oceano. Estou ilhado! (03-04/01/2004)
- Nada é mais bonito que o sorriso de uma criança. Nada é mais triste do que ser obrigado a ter saudade das suas. (03-04/01/2004)
- Tenho fumado demais. Tenho pensado demais. Tenho chorado demais. E eu que pensei que não tinha nada! (03-04/01/2004)
- Nunca consigo dormir cedo. Às vezes, consigo acordar cedo. Sempre acho bom pensar que antes tarde do que nunca, mas morro de sono durante o dia. (03-04/01/2004)
- O ‘nunca’ é o ‘sempre’ de mau-humor. (03-04/01/2004)
- Sob pressão, não consigo produzir direito. Sob depressão, só consigo produzir sob pressão. Aí, já viu... (03-04/01/2004)
- No Vietnã, de hippie a R.I.P. bastava um pequeno vacilo! Que desperdício de jovens! E até hoje... (03-04/01/2004)
- Vou tomar uma decisão definitiva! Mas não hoje... (03-04/01/2004)
- 3,1416 + 365 dias = instrumento de teclas percussivas. (03-04/01/2004)
- Tem momentos em que me bastava que alguém me oferecesse colo, cafuné e silêncio. Mas, se eu pedir, quebra o encanto. Então, continuo esperando. (03-04/01/2004)
- Musica! A melhor invenção de Deus. Só ela para fazer uma pessoa sentir-se viva. Viva a música! (03-04/01/2004)
- Já tive um monte de coisas que não tenho mais. Pelo menos, hoje, já não me fazem falta. Amanhã, não sei! (03-04/01/2004)
- Eu sempre sonho sonhos parecidos, quase recorrentes. Neles, tenho consciência de tudo que me cerca, de tudo que ocorre e, até mesmo, sei que é um sonho. Quando acordo, a certeza se esvai... (03-04/01/2004)
- Resolvi que, de agora em diante, eu mesmo tomo as minhas indecisões! (09/01/2004)
- Não tenho nada para esconder de ninguém. Tampouco me sinto obrigado a revelar nada! (09/01/2004)
- Não existe droga mais letal que a lucidez. Qualquer uso é overdose fatal. Mantenha-se vivo; mantenha-se louco! (10/02/2004)
- Passo noites em claro. Talvez seja para compensar a escuridão dos meus dias! (10/02/2004)
- Estou tão chato que vou acabar cabendo em um envelope. Caso isto ocorra, sele-o e despache pra longe de mim. (10/02/2004)
- O mais engraçado é ter consciência que a maioria dos meus fantasmas estão vivos! (10/02/2004)
- São tantos pensamentos que os meus neurônios já não conseguem fazer sinapse; fazem sinopse! (11/02/2004)
- Finalmente descobri que os meus fracassos amorosos não se deviam ao fato de querer ter alguém, mas de querer ser de alguém! (11/02/2004)
- Desafio o perigo diariamente. É sempre aconselhável conhecer de perto quem, um dia, pode vir a lhe eliminar. O inimigo desprezado desonra a vitória e torna toda luta vã! (11/02/2004)

terça-feira, 4 de dezembro de 2007