segunda-feira, 19 de novembro de 2007

O JEITO BRASILEIRO (RODRIGO MACHADO MARTINS)


O debate sobre Luciano Huck e sua indignação com a violência no Brasil revela que, no geral, os ricos e os pobres reagem da maneira mais cômoda e conveniente em relação aos problemas sociais do país.
Os ricos apoiaram os ricos (no caso, Huck) e os pobres apoiaram os pobres (no caso, os bandidos). Acontece que essas visões simplistas podem gerar somente o caos social. Esse é o jeito brasileiro.
Primeiro, os endinheirados do Brasil estão querendo poder andar por aí esbanjando riqueza e luxo, na foram de jóias, roupas e carros caros, e não querem ser incomodados. Quando são, querem que a polícia extermine os marginais, como se fossem insetos vis (um exemplo disso é o próprio Luciano Huck, “convocando” o Capitão Nascimento, do filme Tropa de Elite).
Os criminosos podem até ser mortos ou ir para algum presídio superlotado, mas enquanto isso, vários outros marginais surgem, gerando um ciclo vicioso e, aparentemente, sem fim.
A atitude dos menos favorecidos também não contribui em nada para melhorar essa situação. Enquanto poderiam lutar por oportunidades e se revoltar, os mais pobres ficam em casa dando apoio aos bandidos, num exercício de algo que mais parece inveja dos ricos do que indignação, ou se tornam os próprios criminosos.
Mas, pior que tudo isso, é ver um pobre ganhar dinheiro e mudar, radicalmente, de opinião.Essa é a principal característica do povo brasileiro: o egoísmo. Os ricos têm de parar de se preocupar com seus Rolex e com seu poder para tentar dar oportunidades iguais a todos e os pobres tem que parar de escolher o caminho mais fácil ou de ficar em casa, vegetando e ir à luta. Caso contrário, o “jeitinho brasileiro de ser” nos levará à destruição.


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