segunda-feira, 19 de novembro de 2007

RESTO



Não busques me entender!
Nem decifra-me, nem devoro-te!
Nada do que trago oculto
Faz-me maior ou menor;
Faz maior ou menor o amor
Que a ti dedico e dedicarei.
Oculto está por ser meu
E de mais ninguém!
Ama-me, por que te amo!
Amo-te, por que existes!
O resto, bem diz a palavra,

É resto...

O JEITO BRASILEIRO (RODRIGO MACHADO MARTINS)


O debate sobre Luciano Huck e sua indignação com a violência no Brasil revela que, no geral, os ricos e os pobres reagem da maneira mais cômoda e conveniente em relação aos problemas sociais do país.
Os ricos apoiaram os ricos (no caso, Huck) e os pobres apoiaram os pobres (no caso, os bandidos). Acontece que essas visões simplistas podem gerar somente o caos social. Esse é o jeito brasileiro.
Primeiro, os endinheirados do Brasil estão querendo poder andar por aí esbanjando riqueza e luxo, na foram de jóias, roupas e carros caros, e não querem ser incomodados. Quando são, querem que a polícia extermine os marginais, como se fossem insetos vis (um exemplo disso é o próprio Luciano Huck, “convocando” o Capitão Nascimento, do filme Tropa de Elite).
Os criminosos podem até ser mortos ou ir para algum presídio superlotado, mas enquanto isso, vários outros marginais surgem, gerando um ciclo vicioso e, aparentemente, sem fim.
A atitude dos menos favorecidos também não contribui em nada para melhorar essa situação. Enquanto poderiam lutar por oportunidades e se revoltar, os mais pobres ficam em casa dando apoio aos bandidos, num exercício de algo que mais parece inveja dos ricos do que indignação, ou se tornam os próprios criminosos.
Mas, pior que tudo isso, é ver um pobre ganhar dinheiro e mudar, radicalmente, de opinião.Essa é a principal característica do povo brasileiro: o egoísmo. Os ricos têm de parar de se preocupar com seus Rolex e com seu poder para tentar dar oportunidades iguais a todos e os pobres tem que parar de escolher o caminho mais fácil ou de ficar em casa, vegetando e ir à luta. Caso contrário, o “jeitinho brasileiro de ser” nos levará à destruição.


Conheça mais sobre o autor em:
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=7057212283745802730

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

NOVO DE NOVO

Esquece o cuidado com o diário;
Não prepare café, nem dê bom dia!
Ignore se tenho fome ou sede;
Despreze saber como fui no trabalho,
Se prefiro açafrão, cebola ou alho.
Não importa se durmo em cama ou rede;
Finja que não me vê há anos, e ria!
Esquece o cuidado com o diário.

Cotidiano, hábito, costume, rotina!
O mesmo palco por trás da cortina.
Mas somos dois a(u)tores versáteis,
Criativos, improvisadores, voláteis!
Escrevamos um novo texto para o hoje
E percamos a rima num verso novo!

ADIMENSIONÁVEL (MAÍRA VASCONCELOS)


Seria o temor da loucura
O que me força a hastear a bandeira da Imaginação
A meio pau?
Pois se o olhar-se no espelho anula a Noção
Do tridimensional,
Que pode a redoma das percepções afirmar
Sobre o fora-de-si?
O ver-ouvir-sentir: não mais que inter-ação.
{[( Ter-se por unidade -- eu => possa ser incoerente)]}
Estivessem os globos oculares para dentro...
* total * absorção *
Fujo
Procuro o eixo do que se convencionou por Normal
Encontro -- achamos...
-- Já vai dormir?
Fugir de um não-sei-o-quê para outro: Durmo.



SAIBA MAIS SOBRE MAÍRA EM:
http://www.espelhoabstrato.blogspot.com/

SEM TÍTULO (CHANDRA LASSERRE)


Subo devagar a ladeira que contorna a cidade,
sem me importar com as buzinas,
em silêncio, dessa vez.
Observo maravilhada uma esfera incandescente,
um circulo de ouro que inunda uma poça d'água, que vez ou outra é mar.
Sinto a paz do fim do dia e me intimido.
Sigo o rumo.
Acontece que viro uma curva e me deparo com uma esfera pálida,
um círculo gigante de prata governando o céu.
Sou dominada por uma súbita alegria e não paro mais de sorrir.
Lá está ela, linda, imponente, não deve em nada.
Adoro, adoro sempre.
Vejo tudo isso pelo azul envidraçado do dia-a-dia.
Toda essa mágica que me faz fazer poesia.


Conheça mais sobre a autora em:
http://senhoritalasserre.blogspot.com/

terça-feira, 6 de novembro de 2007

CASA PEQUENA

A minha casa será pequena.
Nela não caberá muita coisa.
Na sala, uma estante,
Para os discos, os livros
E, talvez, uma TV;
Vai ter, também, um sofá
Que caiba meu sono.
No quarto, uma cama,
Dessas bem grandes,
Pra eu me “espatifar”
De cansaço ou prazer,
Um som e um computador.
Em algum canto, onde der,
Uma rede onde eu possa,
Nos momentos de carência,
Me embalar e ninar!
Minha casa terá ventilador
Para os dias de calor
E, também, um telefone,
Provavelmente celular,
Cujo número poucos terão,
Mas que, mesmo assim,
Muitas vezes, manterei desligado.
Na cozinha, um fogão,
Uma geladeira, um filtro
E, quem sabe, um microondas.
Cinzeiros serão fundamentais,
Pois ainda estarei fumando.
Não haverão plantas,
Pois posso esquecer de regar.
Pronto!
Na minha casa pequena,
Onde não caberá muita coisa,
Moraremos a saudade,
A solidão e eu.
Mas, quem vier em paz,
será bem vindo.
Principalmente você!