terça-feira, 30 de outubro de 2007

OKÊ ARÔ, SENHOR DAS MATAS! SALVE, JORGE DA CAPADÓCIA!


Não tenho mais o que temer. Minha armadura está quase refeita e meu corpo já sustenta o peso das minhas armas. Guerreiro da paz! Paradoxo necessário contra os dragões insanos que teimam em tentar queimar a lua cheia. Estou pronto para o bom combate. Àqueles que pensaram estar eu definitivamente combalido, tremei! Já campeio nuvens sobre meu corcel furta-cor e vislumbro o infinito. Tremei, covardes! Tremei almas traiçoeiras! Não tenho mais o que temer!

O vale das sombras da morte já ficou para trás e a mão que me guiou de volta à luz e à vida ainda pousa sobre a minha fronte. Com Ele derrotei a derrota e me reaprumei. Ainda preciso, às vezes, parar para lamber as feridas, no entanto, elas já não doem tanto. Já não me impedem de lutar.

Meu cavalo de batalha já está encilhado e me acompanha nesta jornada. Corcel destemido, animal de boa monta, sustenta sem fadiga a mim, minhas armas e minha vontade de seguir. E vamos seguindo avante. Na trilha do sol, da nascente ao poente; invadindo a noite e garantindo o sono leve dos inocentes. Armas ornadas com peças da minha orada. Minha oração e minha fé não têm fronteira, título, preconceito, condição.

Tremei, covardes! Tremei almas traiçoeiras. Sigo ao lado de quem também se armou para a caça; de quem também se armou contra os dragões. Nesta companhia nada me deterá. O dono do arco, o dono da lança, abre os caminhos por onde vou, levanta os meus olhos para o certo e para a certeza. Vem a mando de quem ainda pousa a mão sobre a minha fronte.

Cavaleiro imperfeito, busco seguir as picadas de quem conhece os perigos do mato, onde é senhor absoluto, as pegadas daquele que cavalga fácil numa cruzada eterna. Assim, como terei o que temer? Guerreiros da paz (Paradoxos para quem se prende à razão fria e esquece de escancarar o coração), caminharemos os descaminhos, iremos quando teimarem em voltar, sorriremos para o perigo iminente e seguiremos. Abraçaremos todos os sorrisos que se abrirem à nossa passagem e combateremos no bom combate.

O que me levou me trouxe. O que me trouxe, me mantém. O que me mantém me leva adiante. E não adianta mais tentar me atingir. As armas dos malditos contra eles se voltaram. Não há fogo que queime, muralha que obstrua, lama que atole, espinho que fira quando vierem de quem tenta pungir pelo desamor.

Agora tenho calma e paciência. Aprendi a recuar para melhor ver o inimigo e atacá-lo se inevitável for. Mas sei que é melhor lutar contra o erro e não contra quem erra. E aí está o segredo de guerrear pela paz. No entanto, infeliz de quem vislumbrar fraqueza na paciência do caçador, na estratégia do guerreiro. Este desventurado estará avançando contra o que não conhece. Este busca enxergar o que não pode ser visto, ferir o inatingível, agarrar o inalcançável, vencer o invencível. Este se autodestruirá, refletindo no escudo do cavaleiro o mal que retornará sobre si; fazendo da própria perfídia o seu fim.

O vale das sombras da morte já ficou para trás e a mão que me guiou de volta à luz e à vida ainda pousa sobre a minha fronte. Com Ele derrotei a derrota e me reaprumei. Ainda preciso, às vezes, parar para lamber as feridas, no entanto, elas já não doem tanto. Já não me impedem de lutar.

Não tenho mais o que temer. Minha armadura está quase refeita e meu corpo já sustenta o peso das minhas armas. Guerreiro da paz! Paradoxo necessário contra os dragões insanos que teimam em tentar queimar a lua cheia. Estou pronto para o bom combate. Àqueles que pensaram estar eu definitivamente combalido, tremei! Já campeio nuvens sobre meu corcel furta-cor e vislumbro o infinito. Tremei, covardes! Tremei almas traiçoeiras! Não tenho mais o que temer!

A benção a Quem dá a benção! Sustenta Tua mão sobre esta fronte! Adupé-Lewô-Olorun!

Aos companheiros de batalha, a minha saudação: Okê Arô, senhor das matas! Salve, Jorge da Capadócia!

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

SONHO


Ser teu:
......................Amigo...
.....................................................A qualquer momento;
......................Colo...
.....................................................Quando queiras;
......................Ombro...
.....................................................A qualquer lágrima;
......................Companheiro...
.....................................................Quando lhe for propício.

Ser teu!
Sonho...

Ser teu sonho!
Sonho...

Ser teu!
Sonho que realizo
Em sonhos.

Sonho em ser teu!

Em sonhos, sonho a realidade
Que a realidade desfaz.

Ser teu...

Como eu quero...

Ser teu:
......................Amigo...
.....................................................A qualquer momento;
......................Colo...
.....................................................Quando queiras;
......................Ombro...
.....................................................A qualquer lágrima;
......................Companheiro
.....................................................Quando lhe for propício.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

AH, TEMPO!

No sentimento em que vive
Este eterno sonhador,
Não há tempo,
Não há tempo,
Não há tempo...

Não há tempo a perder...
Pois preciso estar com você agora!

Não há tempo a contar...
Pois com você esqueço as idades!

Não há tempo a temer...
Pois com você não temo temporal!

Não temo o temporal dos ventos...

Não temo o temporal dos dias...

Não temo o temporal dos ouvidos...
Surdos de sua voz que amo,

Assim como cego estou de
Não poder te ver comigo...

E como estive paralítico
Por não poder tocá-la...

E como tudo é tempolábil
E por não negar-me;

E por não negar-te;
Digo então em hábil tempo:

No sentimento em que vive
Este eterno sonhador,
Há tempo,
Há tempo,
Há tempo...

TIC-TAC

O relógio parado na parede
Insiste que o tempo não para
E faz um tic-tac irritantemente
Parecido com o bater do meu coração.

E ele bombeia, involuntário...

E o pulso pulsa, involuntário...

A parede parada...
O tempo passando...
O tic-tac do relógio...
O pulso que pulsa...
O bombear do coração...

E eu aqui, parado,
Olhando a parede
Em estática compulsão...

Tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac…

O relógio está inteiro.
Em mim, falta um ponteiro!

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

YU-GI-OH; PARÂMETROS X PRECONCEITOS



“Atirei o pau no gato, mas o gato não morreu...”; “O cravo brigou com a rosa, debaixo de uma sacada, o cravo saiu ferido e a rosa despedaçada...”; “Boi, boi, boi, boi da cara preta, pegue essa criança que tem medo de careta.”. Não serão estes, exemplos de atitudes erradas que, sem a devida orientação, podem levar a criança a encará-los como normais e passíveis de serem executados?
Não seria o “bicho-papão”, ser amorfo e subjetivo, um terrível “demônio” a povoar os pesadelos infantis?
Também a ignorância sobre as diferenças culturais não seria um incentivo ao preconceito? Ignorância que, ainda hoje, faz com que muitos encarem o orixá Exú como sendo a mesma coisa que o diabo da cultura judaico-cristã ocidental? Uma análise rápida e simples, baseada em paralelos históricos, mostra que Exú está muito mais próximo da figura de Hermes (ou Mercúrio) da mitologia greco-romana, que do “tinhoso” ocidental.
Ao necessitar fazer uma equivalência entre os seus orixás e os santos católicos impostos pelo “senhor branco”, os negros escravizados (desconhecedores da mitologia religiosa dos portugueses) encontraram naquela figura com corpo de homem e pernas de bode, a imagem ideal para representar o mensageiro dos deuses, que devia ser esguio e ágil (como Hermes, que tinha asas nos pés!).
Assim, faz-se, também, necessário conhecer um pouco sobre os chamados “demônios” (palavra dúbia, que sofre interpretações errôneas, sobre a qual o Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, já na sua edição de 1958, explica como gênio bom ou mau que, segundo as crenças da antigüidade, presidia o destino de cada homem ou Estado). O Yin e o Yang são forças opostas e complementares, como o bem e o mal, o masculino e o feminino, o positivo e o negativo, a construção e a destruição, a vida e a morte. Desta forma, quando uma criança, ao jogar com as cartas de “Monstros de Duelo” que possuem poder destrutivo, não está, necessariamente, invocando forças do mal.
Quando um personagem de desenho animado de origem oriental invoca um “demônio” como o Dragão Branco de Olhos Azuis, que tem o poder de emitir raios destruidores contra um oponente maligno, ele busca a força deste “demônio” em prol da salvação de um interesse benigno (como libertar o avô aprisionado pelo vilão ou conseguir o dinheiro do prêmio do duelo para a cirurgia da irmã doente).
Difícil de entender? Então busquemos um exemplo mais próximo da nossa cultura. Substituamos o personagem oriental por Moisés, o oponente maligno pelo faraó egípcio e o dragão pela praga de gafanhotos. São as mesmas atitudes, vistas por culturas diferentes. Ou seria Moisés um ser “do mal” por invocar os gafanhotos?
Orientar crianças faz de cada um de nós, pais e/ou educadores, responsáveis por buscar conhecer as diferenças culturais e a saber explicá-las, da melhor maneira possível, conforme a idade de cada criança. Somos os responsáveis por um País sem preconceitos e ciente da diferença entre crendice e fé, fazendo das nossas crianças, adultos com discernimento e espírito democrático. Talvez seja esta a melhor justificativa que se possa dar para “porque estudamos História”.
O bem e o mal, o lobo mau e o caçador, o anjinho e o diabinho (um em cada ombro), o bandido e o mocinho; são todos a mesmíssima coisa, tendendo, a criança, a torcer pelo lado a que for orientada a identificar como o certo. Com exemplos e, principalmente, com atitudes dos adultos.
Diz Baruch Spinoza (em O Pensamento Vivo de Spinoza) que “As palavras bom e mau são empregadas em um sentido relativo; e a mesma coisa pode ser boa e má, segundo os aspectos sob a qual a consideramos (...) Quanto ao mau e ao bom, não indicam nada de positivo nas coisas. São apenas modos de pensar ou noções que formamos, porque comparamos as coisas entre si”.Portanto, o perigo às nossas crianças não se oculta em “cards” ou “games”, nem em desenhos animados ou revistas em quadrinhos. O perigo está em permitir que a ignorância, a falta de diálogo e o abandono gerem adultos sem parâmetros.
Escrito em 2002.

domingo, 7 de outubro de 2007

ORGULHO E GRATIDÃO!

Defendo o CETS por que amo o que esta Escola faz!
"Eu acredito é na rapaziada!..."

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

PROTESTO E MOBILIZAÇÃO!


O CENTRO EDUCACIONAL TEODORO SAMPAIO (CETS), colégio da rede estadual de ensino, em Santo Amaro/BA, com 50 ANOS DE EXISTÊNCIA, está sob AMEAÇA de DESAPARECER!

Palco de projetos educacionais e culturais como a Feira de Literatura Infantil, Escola de Música, Banda Marcial, Domingo Cultural (em seu décimo ano de funcionamento) e um dos mais bem aparelhados da região, o CETS pode fechar!

Não por vontade de alunos, funcionários e professores (pois serão desalojados!), mas pela inescrupulosa sede de poder de um grupelho político comandado por um ex-deputado federal (filho da cidade, ex-aluno e ex-professor do CETS) que querem desalojar 50 anos de história para fazer a sede provisória da Universidade Federal do Recôncavo Baiano em Santo Amaro.

A UFRB é muito bem vinda ao Município e é um anseio antigo da população santamarense (e a sua vinda já é certeza!). Mas não se despe um santo para vestir outro. Principalmente quando se sabe que o CETS é uma referência educacional no Recôncavo.

Peço a quem ler esta mensagem que a repasse para todos os seus amigos, mesmo que não esteja em Santo Amaro ou até mesmo na Bahia. A luta pela preservação da história da educação pertence a todos!

Sim à Universidade, mas com UM SONORO NÃO À SANHA DOS APROVEITADORES.


Muito obrigado.

Marco Valladares - Santo Amaro/BA