segunda-feira, 10 de setembro de 2007

LENDO NA SUA CAMISA



Uma ‘T-Short’, tão comum, era o que você vestia
Quando me perguntou “sabes quem sou”?
E eu bem vi que te via, mas que nada, de ti, sabia.
E eu dei de ler, na sua camisa, o que nela não havia.
Lá eu via que a camisa escondia em si
Quase todo sentido que há nesta grafia.
Da camisa que reveste o milho,
Dava-me a cor da cabeleira
Que ao vento pairava vadia.
Também trazia a construção abstrata,
Sem taboado e sem reboco,
Qual a casa engraçada da poesia.
Se tem goma, camisa firme;
Se de pagão, traz inocência;
Se de dormir, camisa macia!
Ah, camisa de onze varas em que dei de me enfiar
Quando me perguntastes “sabes quem sou? ”
E eu dei de ler, na sua camisa, o que nela não havia.

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