sábado, 29 de setembro de 2007

“APRENDI A FICAR QUIETO E COMEÇAR TUDO DE NOVO”


Quando Danilo pediu-me para fazer um texto sobre Raul Seixas, não vacilei. Tranqüilo!
Depois, em casa, percebi que tinha entrado numa fria. Escrever o que sobre Raul que todos que gostam do cara ainda não saibam? Marquinho, meu velho, você se ferrou! Feio!
Depois de muito matutar, resolvi, então, falar do ‘meu’ Raul Seixas. O Raul que conheci através do meu pai, que, animado com a compra do primeiro ‘stereo’ da família, desandou a comprar discos. E dentre a primeira leva de LPs estava “Krig-ha bandolo!”. Aquela figura esquálida dividindo a capa com o grito do Tarzan já era, por si só, capaz de despertar o interesse do garoto que lia os livros de Edgar Rice Burroughs.
Já na abertura do ‘lado A’ estava aquela gravação do menino Raulzito, seguida daquela ‘coisa’ que sacudiu todos os meus neurônios. “Mosca na Sopa” entrou por cada poro daquele menino e preparou (será?) o espírito para o restante do disco. A partir de “Krig-ha bandolo!” eu nunca mais fui o mesmo.
Quando “Gita” chegou às minhas mãos eu já tinha me enfiado embaixo do chuveiro com um capacete de ‘pião de obra’ na cabeça. Tomar banho de chapéu já não servia. Entrava de capacete pra fazer “tudo aquilo que se faz dentro de um banheiro”.
E tudo virava realidade, já que o cara também sonhava os mesmos sonhos que eu. E a realidade ultrapassou os sonhos quando dei de cara com o cara bem em frente à minha janela! Plínio, o irmão de Raul, morava no prédio defronte ao meu, no primeiro andar de frente (Edifício Pio XII, Rua Manoel Barreto, Graça) e Raul estava hospedado lá! E o cara conversou comigo! Eu custei a crer!
Depois fui descobrindo coisas banais que, para mim, tinham um significado muito especial. O sujeito nasceu em 28 de junho e a minha mãe também. Era canceriano, como eu, e, na cabeça de um garoto de 12 anos, que também tinha nascido "‘Há Dez Mil Anos Atrás”, isso criava uma identidade maior com o ídolo. Quase uma intimidade distante.
Eu fui crescendo e as canções de Raul tomavam outra forma na minha cabeça. Era difícil não relacionar as letras dele com as coisas que passavam pela minha cabeça de adolescente. Fui um adolescente do Novo Aeon. Da ‘Era Raul’!
O tempo passou depressa demais e o cara morreu com “A Panela do Diabo” ainda quentinha. Sacanagem! Mas a morte pode ser o segredo dessa vida. E eu, tantas vezes um canceriano sem lar, continuei a ouvir Raul. E via novas gerações curtindo suas músicas.
E, por conta disso, dei de fazer amizade com um garoto que se tornou uma das pessoas mais importantes da minha vida: meu compadre (à vera!) Régis Calheira. E quantas vezes caímos na farra em plena segunda-feira (hoje é segunda-feira e decretamos feriado, chamei Régis Calheira e saímos lado a lado...). E foi com Reginaldo Contreiras (como eu o chamo, sei lá por que) que aconteceu um fato inusitado nas nossas vidas. Estávamos com uma galera tomando umas cervejotas na barraca em frente ao prédio que eu morava, no Largo dos 15 Mistérios, e cantávamos justamente "Maluco Beleza" quando notamos um sujeito parado junto à mesa. No fim da música ele se aproximou e pediu que nós o ajudásse-mos a voltar para casa. A casa era o Sanatório São Paulo, que ficava a uns metros dali, na Ladeira do Aquidabã. Ele era interno, saiu para passear e perdeu o horário de retorno. Um maluco querendo voltar para o hospício! E lá fomos nós, conversar com o porteiro para o maluco beleza poder entrar.
E foi em outro sanatório, o Ana Nery, que eu senti na pele o que dizia “Clínica Tobias Blues”, “sentado em minha cama, tomando meu café, pra fumar”! Tudo por conta de não saber, por instantes, se era hora de partir ou de chegar. Eu vi a moça com a sua mais bela roupa e tive a chance de ver “que a água viva ainda tá na fonte”.
Onde eu estou, agora, não há bicho papão e já não tenho “medo de sair da cama, à noite, pro banheiro”. Raul uma vez disse: “Deus é aquilo que me falta para compreender o que eu não compreendo”. Pra mim não falta mais! “Aprendi a ficar quieto e começar tudo de novo”!
Raul vive! Viva Raul!
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Publicado originalmente em 'O Grito' de Agosto/2007

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

INTITULADO (LAYRTTHON OLIVEIRA)




Ria que me encanta o teu sorriso,
E em meio ao tédio é-me uma distração,
Pudera eu ver um dia além do riso,
Quem sabe... ver também teu coração?

Nos teus olhos vejo alegria,
E no teu rosto vejo perfeição
Em traços encantadores. Pudera um dia
Eu ver também teu coração?

Inveja-te o sol, pois tens nos cabelos
Do que o do astro um maior clarão.
Se não me cegar a divina luz dos pêlos
Teus, pudera um dia eu ver teu coração?


Conheça mais sobre o autor em:
http://dimensaol.blogspot.com/

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

LENDO NA SUA CAMISA



Uma ‘T-Short’, tão comum, era o que você vestia
Quando me perguntou “sabes quem sou”?
E eu bem vi que te via, mas que nada, de ti, sabia.
E eu dei de ler, na sua camisa, o que nela não havia.
Lá eu via que a camisa escondia em si
Quase todo sentido que há nesta grafia.
Da camisa que reveste o milho,
Dava-me a cor da cabeleira
Que ao vento pairava vadia.
Também trazia a construção abstrata,
Sem taboado e sem reboco,
Qual a casa engraçada da poesia.
Se tem goma, camisa firme;
Se de pagão, traz inocência;
Se de dormir, camisa macia!
Ah, camisa de onze varas em que dei de me enfiar
Quando me perguntastes “sabes quem sou? ”
E eu dei de ler, na sua camisa, o que nela não havia.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

IMPUNIDADE JAMAIS! (RODRIGO MACHADO MARTINS, 15 anos)


A criminalidade na juventude das classes média e alta está cada vez maior e, muitas vezes, os pais dos jovens podem ser considerados cúmplices de seus crimes.
Quando um marmanjão endinheirado rouba, agride ou mata alguém por prazer, é porque ele se sente impune. E essa impunidade normalmente começa em casa, quando os pais mimam e deixam de punir seus filhos quando eles agem errado.
E quando os seus bebezinhos brutalizam nas ruas, eles os defendem loucamente.
Agem de maneira correta os pais que tentam cortar o mal pela raiz, dentro de casa. Mas estão corretos também aqueles que, após tentativas fracassadas de diálogo, deixam que a sociedade se encarregue de punir os seus filhos.
O Brasil precisa acabar com esse sentimento de impunidade por parte daqueles que têm mais dinheiro e poder. Se isso puder começar em casa, ótimo, mas aqueles que já têm consciência de seus atos e saem às ruas barbarizando, merecem sentir o peso da lei caindo em seus ombros.
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Conheça mais sobre o autor em:
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=7057212283745802730