sexta-feira, 31 de agosto de 2007

AUGUSTO E EU


SOLITÁRIO
(Augusto dos Anjos)

Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta...
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
- Velho caixão a carregar destroços –

Levando apenas na tumbal carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!

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SOLIDÁRIO
(Marquinho Valladares)

O teu fantasma aqui ressurgia;
Na escuridão batia-me à porta.
Vinha, leve, nas asas da poesia,
A refugiar-me desta vida morta!

Fazia o mesmo frio que ali fazia;
Mas não era dos que a carne corta...
Uniu-se a mim em comborçaria
Como tua poesia que me conforta!

Tu vieste resgatar-me da Desgraça!
E dela saí, como quem sai da pele,
- Velho caixão a carregar meus ossos -

Tornando o mofumbal em arruaça;
O meu caminho não há quem tele.
Fim do ciscalho falsídico dos destroços.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

CONTINUA VALENDO!

- Não levem tudo que eu escrevo a sério.

Apenas o que vocês não entenderem.

(03-04/12/2004)