quinta-feira, 21 de junho de 2007

CAFONICE (EDUARDO ALVES)


Rasguei
Mil cartas que dariam
Boleros de sucesso, ah, rasguei
Queimei vinis 78 rotações,
Talvez assim exorcizasse canções
Que poderiam vir de mim mesmo,
Contaminadas de romantismos vis,
De tantos compositores febris,
Que eu jamais quis ser,
Que eu lutei pra jamais ser...

Cuidei,
De corações perdidos,
Escrevendo mil pragas e revés,
Pra quem do amor se utilizasse ao fazer sofrer
Pagasse o preço do insucesso e pudesse querer
Tentar outros refrões sem ilusão,
Livres de romantismos vis
De tantos compositores cruéis,
Que eu jamais quis ser,
Que eu lutei pra jamais ser...

Cafonice demais,
Sandice demais,
Falar de amor e de dor,
Misturar fel e sabor,
Deus me livrou desse patético expediente...
Se eu fosse um cafona dessa estirpe, assim,
Cantaria boleros rasgados,
E diria mesmo sobre mim,
O que atribuo aos outros, coitados...


Conheça mais sobre o autor em:
http://www.palavrasdeassalto.blogspot.com/

Um comentário:

Edu Alves disse...

Que honra, cara!!!!
fiquei bobo de ver a homenagem, que coisa boa... é isso mesmo, sejamos cafonas, eternamente cafonas, pois dentro desa diferença mora um sentido de interminável prazer... só quem é cafona sabe ser...rssss
valeu querido!!! estou lendo sua produção cm calma, vc verá logo os comentários, os sonetos já vi que estão reluzindo a raça...
abração!