terça-feira, 22 de maio de 2007

INSÔNIA E AMANHECER

Avanço o sinal da meia-noite
E sigo madrugada a dentro
Sem me importar com os avisos
De pare/olhe/ouça.
Pouco importava que o trem
Das ilusões perdidas viesse
E atravessasse meu caminho.
No acelerador eu era mais eu;
No retrovisor, tudo o que não fui;
No pára-brisa, o que viesse
Seria o rumo a ser seguido.
Curvas e encruzilhadas,
Feitas no acaso do destino,
Todas me levando para lá,
Para onde eu sabia que,
Cedo ou tarde, iria encontrar
O sol da manhã mais nova.
Aí então seria o momento
De frear bruscamente os sonhos,
Abrir as portas para que
Os fantasmas madrugadores
Retornassem à sua dimensão
E eu, desligando o motor,
Matasse o devaneio quase real
E enterrasse o herói que nunca fui.

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