sexta-feira, 13 de abril de 2007

O LUNÁTICO E A SELENITA




A Lua, cheia, clareava teus olhos negros,
Criava mágicos e belos cachos azuis
Na cortina encaracolada que,
Quase sempre, teimavas em prender.
Mas, naquela hora, como que
Para ampliar o impacto do momento,
Estava livre como um anum ao vento.
A Lua testemunhou você dizer que
Em poucas luas de volta estaria.
Você deu meia volta após um beijo inteiro
E seguiu seu caminho sem mim, sem fim...
Passaram-se todas as luas,
Todas as ruas, tudo.
A solidão enchendo meu lado agora sem luz,
Enquanto meu outro lado, por natureza escuro,
Fazia-me minguar, sem te ver,
Te encontrar, em quarto nenhum.
Fiquei sem prumo, sem rumo, sem rota.
Não havia aprendido a girar em torno
De outra Terra, de outro Sol,
De outra estrela.
Perdi o chão, a luz, o brilho.
Hoje, nos meus descaminhos,
Evito noites enluaradas,
Com ares de idas, despedidas,
Vidas perdidas.
Busco sempre noites sombrias,
De luas novas,
Onde qualquer vulto envolto em negrume,
Oculto por onduladas mechas, mexa comigo,
Me fazendo-me sentir,
Além dessa saudade imensamente absurda,
Uma réstia de esperança!

Um comentário:

espelhoabstrato disse...

Este é o tipo do poema que merecia ficar "sem comentários", mas vou anular o meu dizendo:

Sem comentários!