segunda-feira, 30 de abril de 2007

VISITANTE

Hoje, fiquei escutando canções
Que nunca ouvi junto com você,
Mas que são nossas canções.
E embarquei numa viagem boa
Por uma cidade que nunca fui;
Andando por ruas que nunca vi;
Até que cheguei em frente à casa
Onde sei que você espera
Que eu nunca bata à porta.
Assim o fiz, parado, olhando,
Esperanto que num momento,
Ao menos por um instantinho,
Você aparecesse na janela
E sorrisse este sorriso lindo
Sorrido apenas por você!
Cada canção trazia-me, então,
Um jeito de, ali, te esperar.
Melancólico, no compasso do blues;
Ansioso, em um rock oitentista;
Tenso, numa balada de amor;
Feliz, em todas as canções.
Você não veio à janela ver
Que eu estava a te esperar;
Mas pude ver, no seu jardim,
Uma flor em botão desabrochar.
Reguei-a com lágrimas de amor
E desliguei o som e o sonhar.
Hoje, fiquei escutando canções...

sexta-feira, 13 de abril de 2007

O LUNÁTICO E A SELENITA




A Lua, cheia, clareava teus olhos negros,
Criava mágicos e belos cachos azuis
Na cortina encaracolada que,
Quase sempre, teimavas em prender.
Mas, naquela hora, como que
Para ampliar o impacto do momento,
Estava livre como um anum ao vento.
A Lua testemunhou você dizer que
Em poucas luas de volta estaria.
Você deu meia volta após um beijo inteiro
E seguiu seu caminho sem mim, sem fim...
Passaram-se todas as luas,
Todas as ruas, tudo.
A solidão enchendo meu lado agora sem luz,
Enquanto meu outro lado, por natureza escuro,
Fazia-me minguar, sem te ver,
Te encontrar, em quarto nenhum.
Fiquei sem prumo, sem rumo, sem rota.
Não havia aprendido a girar em torno
De outra Terra, de outro Sol,
De outra estrela.
Perdi o chão, a luz, o brilho.
Hoje, nos meus descaminhos,
Evito noites enluaradas,
Com ares de idas, despedidas,
Vidas perdidas.
Busco sempre noites sombrias,
De luas novas,
Onde qualquer vulto envolto em negrume,
Oculto por onduladas mechas, mexa comigo,
Me fazendo-me sentir,
Além dessa saudade imensamente absurda,
Uma réstia de esperança!

O TREM DE SANTO AMARO

Lá vem o trem,
Apitando na curva do Bonfim,
Logo após o entroncamento;
Um apito longo e tristonho,
Com jeito de lamento.

Lá vem o trem,
Apitando na reta do Cigano;
Indo certo pra estação.
Apita chamando o povo
Pra embarcar no seu vagão.

Lá vai o trem,
Vai embora solitário,
Sem levar um passageiro.
Apita ao longe, saudoso
Dos tempos que levava
Nosso povo pra Bahia,
Lá pras bandas da Calçada.

Lá se foi o trem...
..............Lá se foi o trem...
............................Lá se foi o trem...
..........................................Lá se foi o trem...
........................................................Lá se foi o trem...
..................................................................................Lá se foi...

terça-feira, 10 de abril de 2007

CANÇÃO DE ALMAS (SANDRAH)


Tarde de sol
Nossos corpos
Se encontram
telepaticamente
Carícias avassaladoras
Beijos intensos
Mansos serenos
Nos entrelaçamos
Tenho você em mim
Te arranho
Te grito
Desejo infinito
Nos amamos
Com mansidão e sofreguidão
E num gozo sem limites
Nos perdemos por segundos
E nos achamos na loucura
Desejo e amor se misturam
E nos abraçamos loucamente
Com doces carícias, relaxamos
Corpos suados
Cheiros se confundem
E nesse silêncio
Ecoa a canção de nossas almas
Canção de amor e desejo.


In ‘Recanto das Letras’
http://www.recantodasletras.com.br/autores/sandrah

FUTRICA

Ômi, sinhô mi dêxi,
Qui aquí ninguém arrepete
Nem por paga nem por di graça
O que onti se assucedeu,
Por conta di atraí a tar tragéda,
Prima-irmã da tar disgraça.
Mas lhi dô, pra sua idéa,
Qui foi logo ali ninfrente,
Donde tá aquela práca,
Qui Ocride, cabra valente,
Vortô mais cedo e incontrô
Sua santinha lhi ponhano
Um baita dum chapé di vaca.
Num contô nem déis nem trêis;
Já no um, cortô os dois
No táio di sua faca.
Mais nun conto, seno sincero,
Pois num cabe in minha boca
O qui di minha conta num é.
E aqui pru essas banda,
Hômi, sim sinhô,
Dedo-duro mórri impé.
Inda tenho o qui vivê
I num posso arriscá.
Vai qui o corno fugido
Com minha pessoa, intão,
Cisma e fica aperriado!
Quar síria o meu distino?
Findá na ponta da faca!
Ô pió...
Morrê chifrado!