segunda-feira, 26 de março de 2007

VAI PASTAR

Chega de cega-reza,
De cerca-Lourenço;
Esse falso alarido
Está mais chato
Que muruçoca
No pé-de-ouvido;
Parece enguiço
Mal rogado, rebusno
De quem não tem
Espelho, vergonha
Na cara-de-pau.
Minhas aurículas
Penduram brincos;
Mas não brinque
De fazer zoada,
Entoar zurrada.
Isso é água passada
Qu’eu não estou
Mais a fim de ouvir.
Finges oração
No que apenas
É ornejo, lampejo
De pseudolucidez.
Lamento dizer
Que não mais lamento
Dizer não acreditar
Na sua verdade;
Passei da idade.
Orno minha vida
Com o que vale à pena
Pra tumba levar.
Aí, fica difícil caber-me
Este seu orneio.
Vai procurar tua turma
Brincar de pular cerca,
Se coçar no mourão
Pra depois ir pastar.