quinta-feira, 22 de março de 2007

RUMO

Eu, que já tive a ilusão de que exagero
Era igual a intensidade,
E vivia sem limites, inventando paixões,
Doando-me a tudo, e colhendo quase nada,
Aprendi, através da dor,
A suportar as feridas
Que se abriram na alma e no coração.
Conheci os descaminhos,
Os desencontros e o desespero.
Via a face da morte; e ela me sorria!
Dei-lhe as mãos, mas não parti.
Uma vez que permaneci aqui,
Só me restou pensar e repensar
Os caminhos que, atabalhoadamente,
Percorri trôpego, inconseqüente.
Hoje, vislumbro outras paragens,
Lembrando dos erros,
Para não mais, nunca mais, jamais,
Permitir-me cometê-los outra vez.
Abandono, sem saudades, as paixões,
Para abraçar, tranqüilo,
A intensidade sublime do amor!